Mariana Goldfarb, conhecida por seu relacionamento anterior com o ator Cauã Reymond, emergiu como porta-voz em uma campanha do Ministério Público do Rio de Janeiro contra a violência psicológica. A nutricionista, que já havia compartilhado suas experiências com relacionamentos abusivos em suas redes sociais, detalhou o impacto devastador que essa dinâmica teve em sua vida, chegando a afirmar que sua sobrevivência dependeu da decisão de encerrar o relacionamento.
“Eu percebi que estava em um relacionamento abusivo desde muito cedo, mas não conseguia nomear. A violência psicológica não deixa marcas visíveis, mas, olhando para trás, hoje vejo como ela se manifestou fisicamente em queda de cabelo, espasmos oculares e anorexia”, relatou Goldfarb.
Ela descreveu o que considera uma “tortura psicológica”, evidenciada pelo tratamento de silêncio, um método insuportável que visa desestabilizar a vítima e impor controle. “Isso dói muito, perceber que não é amor, e talvez nunca tenha sido. Tudo se resume a poder, dominação e controle”, pontuou.
A ex-namorada de Reymond detalhou a constante sensação de incerteza e o esforço exaustivo para manter a paz. “Eu nunca sabia o que esperar, era um constante ‘pisar em ovos’. Eu fazia de tudo para que o dia terminasse bem, mas ele nunca terminava”, confessou.
Para lidar com a dor, Goldfarb buscou refúgio em subterfúgios, como o consumo excessivo de álcool. Ela também mencionou o apoio de amigos e familiares, que notavam as mudanças em seu comportamento e aparência. “Eu já não era eu mesma. Meu brilho se apagou, como se algo estivesse sugando minha energia vital. Eu ia minguando”, descreveu.
A influencer abordou a estratégia de isolamento empregada por agressores, que minam a rede de apoio da vítima. “É mais difícil te manipular quando você tem um entorno. Ao te afastar de pessoas importantes que te lembram quem você é, você se torna mais vulnerável”, explicou.
Goldfarb também comentou sobre a culpabilização da vítima e os questionamentos frequentes sobre a dificuldade em deixar o relacionamento. “Eu entendo agora que não é simples sair. Existe uma dependência que se instala”, observou, ressaltando que a violência psicológica ataca diretamente a identidade da pessoa, deixando-a “como um zumbi”.
“O problema de ouvir por muito tempo que você não é capaz é que, uma hora, você acaba acreditando. Chega um ponto em que é uma questão de vida ou morte. A alma morre, e muitas mulheres, infelizmente, morrem de fato”, declarou com firmeza.
Em sua experiência pessoal, Goldfarb identificou os sinais de alerta que muitas vezes são ignorados. “Eu consegui sair quando me restava apenas 5% de oxigênio. Ou eu usava essa última energia naquele momento, ou ali eu morreria. Foi o meu último respiro”, relatou, enfatizando a coragem necessária para se libertar de um ciclo abusivo, um processo que, em seu caso, levou anos.
Em sua mensagem para outras mulheres, Mariana Goldfarb transmitiu esperança: “A saída existe, é possível, não é utópica. Se tantos conseguiram, por que você não conseguiria?”.
Ela aconselhou a não ignorar os sinais e a reconhecer que relações saudáveis são possíveis. “Se você está em um lugar que te diminui, que te sufoca, saia. Não há nada mais importante do que a sua vida”, enfatizou.
Por fim, Goldfarb alertou que as dinâmicas abusivas se repetem, mesmo com diferentes parceiros. “O personagem muda, mas a dinâmica se mantém. É crucial entender o que está acontecendo para que o padrão mude. Jogar objetos, gritar, silenciar, diminuir, ter ciúme excessivo, controlar, podar ou castrar não é normal”, concluiu.