A influenciadora Bianca Andrade surpreendeu seus seguidores ao compartilhar uma transformação pessoal significativa em sua vida íntima, que ocorreu durante seu relacionamento com Diego Cruz, terminado em novembro. Em suas declarações, Andrade revelou ter passado a desfrutar de momentos que, anteriormente, não lhe despertavam tanto interesse.
Em um relato sincero, a empresária detalhou a mudança em sua percepção: “Estou amando fazer sexo. Minha mãe sempre foi mais safadinha que eu. Minha mãe sempre falava que adora, e eu falava que não curtia muito. Agora, estava conversando com a minha mãe pelo telefone e falei: ‘Mãe, você não vai acreditar, estou amando fazer sexo’. Não fazia sexo de manhã, agora faço.” A declaração chamou atenção pela notável diferença em relação às suas experiências passadas.
Para aprofundar o entendimento sobre as variações no desejo sexual feminino, a CARAS Brasil consultou a sexóloga Bárbara Bastos, especialista em comportamento sexual, que ofereceu uma perspectiva profissional sobre o tema.
Flutuações no Prazer Feminino: Um Fenômeno Comum
Segundo Bárbara Bastos, vivenciar fases com menor ou maior interesse sexual é algo bastante comum entre as mulheres. “Isso é algo muito comum. Os mesmos fatores que influenciam uma mulher a ter menos prazer ou menos interesse sexual são, curiosamente, os que também podem estimular o desejo e o prazer. A gente está falando de uma combinação de fatores físicos, hormonais, emocionais e até relacionais,” explicou a especialista.
Bastos enfatiza que o desejo não segue uma lógica linear. “O desejo sexual é cíclico. A gente não é uma máquina em que um mais um sempre dá dois. O ser humano é complexo, e o desejo não é algo linear,” ressaltou.
A formação da sexualidade e as experiências vividas na juventude podem ter um impacto duradouro. “Existem questões mais profundas, que vêm da forma como cada pessoa aprendeu e vivenciou a sexualidade lá atrás. Se essas experiências não foram positivas, elas podem influenciar por muitos anos — às vezes por toda a vida — se a pessoa não olhar para isso,” comentou. Além disso, fatores como a rotina, a saúde mental e a qualidade dos relacionamentos desempenham um papel crucial. “Quando você se sente à vontade, segura, acolhida, é mais fácil se permitir ser vulnerável, inclusive na intimidade. Mas o contrário também é verdadeiro: se não há essa segurança emocional, é natural que o corpo e a mente se fechem, e o desejo acabe travando,” acrescentou.
A Redescoberta do Prazer e seus Impactos
A sexóloga destaca que a sexualidade transcende o ato sexual em si, englobando a forma como a pessoa se expressa e se relaciona. “A sexualidade não está ligada apenas ao sexo, à cama ou ao ato em si. Ela tem muito mais a ver com a forma como você se expressa, como se relaciona, com a sua confiança e segurança diante da vida e das pessoas. Tudo isso está profundamente conectado,” afirmou.
Bastos pontua que a autoconfiança se fortalece em todas as esferas da vida. “Quando você se sente mais segura, confiante e confortável com o seu corpo e com os seus pensamentos, isso reflete em todas as áreas da sua vida — inclusive na intimidade. Porque você deixa de viver em função do julgamento dos outros e passa a agir de forma coerente com o que você realmente pensa e sente,” explicou.
Quando a Falta de Desejo Sinaliza um Problema?
Embora a diminuição do desejo possa ser natural, a especialista aponta sinais de alerta. “Uma ou duas semanas, até um mês, pode ser algo passageiro. Agora, quando isso se prolonga por meses, é um sinal de alerta,” advertiu.
O autoconhecimento é o primeiro passo para identificar a causa. “O autoconhecimento é se perceber. Observar como você está como um todo. Como anda sua mente? Você tem estado ansiosa, com muitos pensamentos, preocupações? E como está o seu corpo? Você tem prestado atenção nele?” questionou. Bárbara Bastos enfatiza a importância de investigar todos os aspectos. “Às vezes o corpo está bem, mas a mente está sobrecarregada,” concluiu.
Tabus e a Busca pelo Prazer Feminino
A especialista reforça que as dificuldades com o desejo sexual não são exclusivas de uma mulher. “Eu diria que ela não é um ET, não é uma alienígena e, principalmente, não é a única mulher no mundo que sente ou passa por isso,” declarou.
Bastos aponta a falta de diálogo aberto como um fator contribuinte para o tabu. “A gente não fala sobre sexo de forma natural — nem em casa, nem entre amigas. Existe uma herança cultural enorme por trás — gerações que não aprenderam o que é educação sexual, que associaram sexo a pecado, erro ou sujeira,” explicou.
Para a sexóloga, ressignificar a percepção sobre o sexo é fundamental. “Sexo não é errado. Pelo contrário — é algo bonito, natural, capaz até de gerar uma vida. É algo potente, humano, e que pode ser vivido com leveza e afeto,” defendeu.
A Influência da Rotina e Horários no Desejo
A mudança na rotina de Bianca Andrade, mencionada em seu relato, faz sentido sob a ótica da especialista. “Para ter vontade de fazer sexo, você precisa ter energia. Se você está sem disposição física ou mental, cansada com a rotina, é natural que o seu desejo diminua,” disse.
Bastos observa que muitos casais tendem a reservar a intimidade apenas para o final do dia. “Os casais chegam falando sobre a falta de desejo, e quando a gente vai olhar mais de perto, existe um cansaço geral por trás,” comentou.
A sugestão da especialista é experimentar novas abordagens. “Às vezes, mudar o momento, a rotina, ou criar um espaço mais leve e descontraído pode fazer toda a diferença na intimidade do casal,” concluiu.