A emissora Record prepara o lançamento de ‘Estranho Amor’, uma nova série nacional que promete trazer à tona discussões sociais relevantes e uma abordagem jornalística sobre a violência contra a mulher. Com estreia marcada para o dia 5 de janeiro, a produção, encabeçada pela atriz Juliana Knust, explorará diferentes facetas da brutalidade contra o público feminino, inspirando-se em episódios reais ocorridos no Brasil. A série, com cinco capítulos, é fruto de uma colaboração entre Visom Digital, AXN e Record, e terá sua exibição adaptada para TV aberta, canais pagos e plataformas de streaming.
No cerne da trama está a delegada Vânia, interpretada por Knust, que assume a liderança de uma Delegacia de Defesa da Mulher no Rio de Janeiro. Sua experiência profissional é marcada por uma vivência pessoal traumática: ela mesma foi vítima de um relacionamento abusivo. A trajetória de Vânia não apenas expõe o peso de seu trauma, mas também as falhas encontradas no sistema de atendimento institucional, visto que a delegada enfrentou a falta de preparo de policiais ao denunciar a violência que sofreu. A personagem busca aplicar sua experiência profissional na busca por justiça, enquanto lida com suas próprias feridas emocionais e a esperança de reencontrar sua filha, que desapareceu após um ataque perpetrado pelo ex-marido. O agressor, antes de fugir do país, entregou a criança para a avó paterna.
A estética de ‘Estranho Amor’ prioriza um realismo cru, com um tom que remete ao estilo documental, buscando retratar fielmente o cotidiano das delegacias especializadas na capital fluminense. Cada episódio se debruça sobre a investigação e resolução de um caso particular, enquanto o arco narrativo da temporada utiliza flashbacks fragmentados para desvendar as memórias e as complexas consequências do passado de Vânia. Essa estrutura não linear reforça a frequência e a similaridade dos casos de violência doméstica apresentados, expandindo o debate sobre o tema para além do universo ficcional.
A proposta da série se destaca também pelo formato procedural, com cinco episódios de aproximadamente 45 minutos cada. A concepção foi pensada para uma exibição diária na TV aberta, com possibilidade de apresentação semanal em outros formatos, além de versões customizadas para plataformas digitais. A divisão dos capítulos em segmentos distintos, pontuados por ganchos que prendem a atenção, visa manter a tensão narrativa e estimular o engajamento do espectador. Recursos visuais e paletas de cores diferenciadas são empregados para demarcar as distintas temporalidades da narrativa, realçando o contraste entre o presente da delegada e os fragmentos de seu passado.
‘Estranho Amor’ se posiciona como uma das apostas mais impactantes da Record para a discussão sobre o enfrentamento à violência doméstica. Ao apresentar a rotina de uma delegacia de mulheres sob a perspectiva de quem vivenciou o ciclo da violência, a série combina elementos do drama policial com um profundo realismo social em sua estreia.