O cantor Roberto Carlos tem sido alvo de intensas críticas nos últimos dias. A repercussão negativa surgiu após uma série de incidentes ocorridos durante seus shows. Em uma ocasião, o artista demonstrou impaciência com um colega de palco em sua apresentação de fim de ano. Em outros momentos, Roberto Carlos foi visto gritando com o público em duas oportunidades distintas.
O artista, que já ultrapassa os oitenta anos de idade, construiu uma carreira longeva e dedicada à música romântica. Por décadas, seus especiais de Natal na televisão alcançaram altos índices de audiência, e suas canções embalaram e emocionaram gerações de brasileiros. Em sua trajetória, o cantor soube transformar adversidades pessoais em obras que tocaram o coração de seus fãs.
É inegável que os três episódios em que Roberto Carlos perdeu a paciência este ano foram desagradáveis. Contudo, é válido refletir sobre a natureza humana e a frequência com que todos nós, em algum momento, falhamos em demonstrar a paciência ideal com familiares, amigos ou até mesmo com desconhecidos. A maturidade, muitas vezes, nos traz a compreensão sobre os próprios erros e a importância de valorizar as relações.
Diante da finitude da vida, a perspectiva muda. Assim como não sabemos por quanto tempo teremos as pessoas queridas ao nosso lado, também não temos garantia eterna da presença de artistas que marcaram nossas vidas. A oportunidade de assistir a um show de Roberto Carlos ao vivo, por exemplo, é um privilégio que deve ser apreciado.
Recentemente, a ex-esposa do cantor, Myrian Rios, veio a público em sua defesa. Este texto, no entanto, não se propõe a defender Roberto Carlos, mas sim a convidar à reflexão e à compreensão. É fundamental lembrar que, apesar de seu status icônico, ele é um ser humano.
Roberto Carlos testemunha, dia após dia, a partida de amigos e a aceleração do tempo. É natural que, diante da proximidade do fim, o medo do desconhecido surja, especialmente para alguém que, como ele, demonstra amar a vida.
Embora seja um artista singular, sua partida um dia será inevitável. E, quando esse momento chegar, é certo que ele sentirá falta do seu público, assim como o público sentirá falta de todas as fases de Roberto Carlos: o jovem, o maduro e até mesmo o envelhecido, por vezes impaciente. A ausência será o maior pesar, e teremos que aceitar que a presença, mesmo imperfeita, era infinitamente preferível à falta.
É um convite ao perdão, para que compreendamos que o atual estado de impaciência de Roberto Carlos pode ser, na verdade, um grito por atenção, um reflexo de seu carinho por nós e de seu desejo de permanecer. Mesmo ciente da efemeridade da vida, ele busca manter-se presente.