Um cântico que ecoa nas arquibancadas da Vila Belmiro, “Menino da Vila, santista e cruel: vai pra cima, Gabriel”, marcou neste sábado (3/1) o anúncio oficial do retorno de Gabriel Barbosa ao Santos. Após oito anos longe do clube que o formou, o atacante chega por empréstimo junto ao Cruzeiro para a temporada de 2026, selando um reencontro que parecia improvável diante de uma trajetória repleta de contrastes.
A despedida original de Gabigol da Vila Belmiro ocorreu em janeiro de 2019, quando rumou para o Flamengo. Desde então, o caminho do jogador e da instituição santista divergiu drasticamente. Enquanto Gabriel celebrava o auge de sua carreira, conquistando inúmeros títulos com o clube carioca, o Santos enfrentava o período mais sombrio de sua história, culminando com o rebaixamento para a Série B em 2023.
Formado nas categorias de base do Santos, Gabriel iniciou sua jornada no clube aos oito anos, em 2004. Sua estreia profissional, em 2013, coincidiu com a despedida de Neymar da equipe. Agora, o camisa 10 retorna com a expectativa de formar uma dupla de ataque com o próprio Neymar, seu cunhado, e de reencontrar as redes pelo Peixe.
A primeira passagem de Gabigol pelo Santos, que se estendeu até 2016, foi marcada por conquistas e projeção. Após o ouro olímpico no Rio, o jogador foi vendido à Inter de Milão por cerca de 25 milhões de euros, mas teve uma passagem discreta na Europa, com apenas um gol em dez partidas. Um empréstimo ao Benfica em 2017 também não rendeu o esperado, levando-o de volta ao Brasil no início de 2018.
De volta ao Santos em 2018, Gabriel reencontrou o bom futebol, sagrando-se artilheiro do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil. Sua carreira no clube acumulou conquistas como o bicampeonato paulista em 2015 e 2016, além de ter sido artilheiro da Copa do Brasil em 2014 e 2015. Em suas duas passagens, foram 210 jogos, 84 gols e 13 assistências.
Contudo, a relação entre Gabigol e o Santos também foi marcada por episódios de tensão e provocações. Gols marcados contra o clube que o revelou geraram atritos. Em 2019, após marcar o gol da vitória contra o Santos no Maracanã, ele provocou a torcida santista. No jogo de volta, no qual o Flamengo goleou por 4 a 0, Gabriel respondeu a provocações apontando para a tatuagem da Libertadores recém-conquistada.
Em 2020, ao marcar na Vila Belmiro, homenageou Chadwick Boseman. No ano seguinte, repetiu a dose com três gols em solo santista, reagindo a ofensas da arquibancada. “Acho que têm que respeitar minha história no clube, no último título do Santos eu estava aqui. Eles me xingaram não sei de onde, na imprensa só vai sair que eu provoquei, mas mexeram com a pessoa errada, voltei para o segundo tempo e fiz três gols”, declarou o jogador na ocasião.
Em 2022, após entrar no segundo tempo, marcou o gol da vitória por 2 a 1 e provocou os adversários santistas com um gesto de “mão nos ouvidos”. O reencontro mais recente, já com a camisa do Cruzeiro na última rodada do Brasileirão de 2025, apresentou um clima mais ameno, com o jogador recebendo tanto ofensas quanto manifestações de carinho de torcedores.
Agora, Gabigol retorna à Vila Belmiro com o desafio de resgatar seu melhor desempenho após uma temporada abaixo das expectativas e reconquistar o afeto da torcida. Apesar das polêmicas passadas, a esperança é que gols e a parceria com Neymar sejam suficientes para reescrever um capítulo positivo em sua história com o Santos.