A partir desta segunda-feira, 05 de janeiro de 2026, o cenário econômico brasileiro amanhece com um novo patamar para o piso salarial. Definido pelo governo Lula, o salário mínimo nacional foi reajustado para R$ 1.621,00, um valor que já começa a repercutir nos bolsos de milhões de trabalhadores e beneficiários de programas sociais e previdenciários.
O aumento de 6,79% em comparação com o ano anterior, representando um acréscimo real de R$ 103,00, não se limita apenas ao contracheque individual. Este reajuste é parte de uma política de valorização do piso nacional e movimenta a engrenagem financeira do país. Segundo dados do Dieese, aproximadamente 61,9 milhões de brasileiros têm seus rendimentos atrelados ao salário mínimo. A expectativa é que a injeção dessa nova massa de renda impulsione a economia nacional em R$ 81,7 bilhões ainda neste ano.
Com o novo valor em vigor desde o dia 1º de janeiro, o dia de trabalho passa a ser remunerado em R$ 54,04, e a hora trabalhada em R$ 7,37. Um dos indicativos positivos deste ajuste é o aumento do poder de compra. Em São Paulo, por exemplo, o novo salário mínimo é suficiente para adquirir, em média, 1,93 cesta básica, o maior índice registrado desde 2019, demonstrando que o reajuste superou a inflação de alimentos.
Impacto nas Aposentadorias e Benefícios do INSS
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é um dos setores que sente o reflexo mais imediato do novo piso. A legislação impede que benefícios previdenciários, como aposentadorias, pensões e auxílio-doença, sejam inferiores ao salário mínimo. Portanto, esses segurados já recebem o valor atualizado de R$ 1.621,00.
O calendário de pagamentos dos benefícios com o valor reajustado ocorre entre 26 de janeiro e 6 de fevereiro. Cerca de 70% dos segurados do INSS recebem o valor exato do piso nacional. Para aqueles com benefícios superiores ao mínimo, o reajuste acompanhará a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a ser divulgado oficialmente pelo IBGE no dia 10 de janeiro.
Benefício de Prestação Continuada (BPC) e Seguro-Desemprego
O Benefício da Prestação Continuada (BPC), destinado a idosos com mais de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de vulnerabilidade social, também foi elevado para R$ 1.621,00. Para ter acesso ao BPC, a renda familiar por pessoa não deve ultrapassar um quarto do salário mínimo, equivalente a R$ 405,25 por membro da família.
O Seguro-Desemprego estabeleceu seu valor mínimo no mesmo patamar de R$ 1.621,00. O benefício continua sendo concedido a trabalhadores com demissão sem justa causa, excluindo os casos de acordos de demissão.
PIS e PASEP em 2026
O abono salarial de 2026, referente ao ano-base de 2024, terá valores que variam entre R$ 135,08 e R$ 1.621,00. Uma alteração legislativa prevê o ajuste gradual do teto de recebimento até 2035 para aqueles que ganham até um salário mínimo e meio.
As contribuições previdenciárias também acompanham essa elevação. Para autônomos e Microempreendedores Individuais (MEI), a contribuição mínima, que parte de 5% sobre o piso, agora é calculada sobre os R$ 1.621,00. Os trabalhadores podem consultar seu direito ao abono através do aplicativo Carteira de Trabalho Digital ou pelo portal Gov.br.