Sônia Fátima Moura, mãe da modelo Eliza Samudio, rompeu o silêncio nesta terça-feira (6) para expressar sua profunda tristeza e cansaço emocional após a notícia do encontro do passaporte de sua filha em um apartamento em Portugal. A informação, divulgada inicialmente por um veículo de comunicação brasileiro antes mesmo de a família ser oficialmente notificada, trouxe à tona mais uma vez a dor de ter o nome de Eliza em evidência.
Em um desabafo carregado de emoção, Sônia lamentou a forma como a notícia foi veiculada, criticando a postura de alguns profissionais da imprensa. “Dói constatar que ainda existam profissionais da imprensa que escolham ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar os fatos com seriedade e de publicar uma matéria honesta e verdadeira”, declarou. Ela ressaltou que aprendeu da maneira mais difícil que não se pode esperar humanidade ou profissionalismo de “pessoas pequenas diante de uma dor que elas nunca precisaram sentir”.
Sônia Fátima Moura reiterou que sua filha está morta e que é doloroso ver a imagem da modelo ser explorada de maneira irresponsável. “Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma”, disse, com a voz embargada. Ela comparou cada nova informação sobre Eliza a uma ferida que se reabre, aumentando o vazio e transformando a saudade em revolta. “Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria”, completou.
A mãe de Eliza não confirmou a autenticidade do passaporte, salientando que a história apresentada está repleta de lacunas e inconsistências. A família acreditava que todos os pertences de Eliza haviam sido destruídos após seu assassinato. O documento foi entregue ao consulado brasileiro em Lisboa por um inquilino do imóvel, que o encontrou em uma estante. “A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória”, afirmou.
Eliza Samudio desapareceu em junho de 2010 e as investigações posteriores apontaram para seu assassinato a mando de Bruno Souza, ex-goleiro do Flamengo, com quem ela teve um filho. Sônia Fátima Moura afirmou que, neste momento, prefere o silêncio para lidar com a dor, mas garantiu que exigirá das autoridades todas as respostas pendentes sobre o passaporte. “Essa é uma história marcada por muitas lacunas, e elas precisarão ser esclarecidas, porque minha filha merece respeito, verdade e justiça”, concluiu.
Informações divulgadas pelo Portal Leo Dias indicam que o consulado atestou a autenticidade do passaporte, emitido em 2006. O documento contém apenas um registro de entrada em Portugal em 2007, sem carimbos de saída ou de entrada em outros países. Essa ausência de registros surpreende, considerando que Eliza, segundo a família, viajou para a Europa em anos posteriores para acompanhar jogos de futebol, chegando a declarar em entrevistas que se encontraria com o jogador Cristiano Ronaldo.