Sonia Moura, mãe de Eliza Samudio, manifestou-se publicamente pela primeira vez após a notícia de que o passaporte de sua filha foi encontrado em Portugal. Em um desabafo nas redes sociais na noite desta terça-feira (06/01), ela relatou que a repercussão do caso reabriu feridas de um luto que, segundo suas palavras, jamais cessou, descrevendo um período de profunda dor e esgotamento emocional.
“Tudo o que tenho a dizer, neste momento, vem de um lugar de profunda dor e exaustão emocional”, declarou Sonia em referência à matéria que viralizou. Ela também criticou a abordagem de parte da imprensa, afirmando: “Dói constatar que ainda existam profissionais da imprensa que escolham ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar os fatos com seriedade e de publicar uma matéria honesta e verdadeira.”
A mãe de Eliza lamentou o impacto da exposição na família: “Aprendi, da forma mais dura possível, que não se pode esperar humanidade, respeito ou atitudes profissionais de pessoas pequenas diante de uma dor que elas nunca precisaram sentir.” Ela reforçou a magnitude da perda, expressando: “Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa.”
Sonia Moura também se mostrou consternada com o que considera o uso recorrente da imagem de sua filha: “Dói ainda mais ver a imagem da minha filha sendo usada como se fosse um instrumento para gerar audiência, dinheiro e fama. Cada exposição desnecessária reabre a ferida, aumenta o vazio e transforma a saudade em revolta. Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria.”
Em seu pronunciamento, Sonia destacou que não considera os acontecimentos recentes como aleatórios e apontou inconsistências na versão apresentada. “A história divulgada está cheia de lacunas, coincidências e pontos que não se encaixam. Não acredito que tudo tenha acontecido de forma aleatória. Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente”, afirmou.
Ao finalizar, Sonia declarou que, apesar de optar pelo silêncio temporário para lidar com a dor, manterá a cobrança por respostas das autoridades. “Neste momento, escolho me manter em silêncio para tentar sobreviver à saudade, para tentar respirar em meio à dor e preservar o pouco de paz que ainda consigo reunir para mim e para minha família. Mas tenham certeza: vou exigir das autoridades todas as respostas que ainda não foram dadas. Essa é uma história marcada por muitas lacunas, e elas precisarão ser esclarecidas, porque minha filha merece respeito, verdade e justiça.”
O Consulado-Geral do Brasil em Lisboa confirmou a localização do documento na sexta-feira (02/01). Arlie Moura, irmão de Eliza, declarou à CNN Brasil que acredita na autenticidade do passaporte encontrado em solo português.