O nome Helena tornou-se sinônimo de Manoel Carlos, um dos autores mais queridos e influentes da televisão brasileira. Essa escolha, inspirada na mitologia grega, representava para o novelista a figura feminina forte, guerreira e capaz de profundos sacrifícios em nome do amor. Em suas próprias palavras, as Helenas eram mães abnegadas, mas que não se esqueciam de si mesmas, possuindo vaidade, senso de justiça (e, por vezes, injustiça), e a capacidade de omitir ou distorcer a verdade em prol de seus filhos, defendendo-os mesmo em situações extremas. Ele acreditava que era difícil para uma mulher escapar da semelhança com sua própria mãe.
Ao longo de sua carreira, diversas atrizes tiveram a honra de dar vida a essa personagem icônica, cada uma com sua interpretação única.
Lílian Lemmertz foi a pioneira, interpretando Helena em Baila Comigo (1981). Na trama, ela enfrentou o dilema de abandonar um de seus filhos, Quinzinho e João Victor (interpretado por Tony Ramos), devido à sua condição humilde.
Em Felicidade (1991), Maitê Proença deu vida à segunda Helena. A personagem era retratada como uma mulher independente e à frente de seu tempo, que se mudou da fictícia Vila Feliz para o Rio de Janeiro. Um reencontro com Álvaro (Tony Ramos) a levou a engravidar de Bia (Tatyane Goulart), enfrentando os conflitos com Débora (Vivianne Pasmanter), noiva de seu amado.
Regina Duarte marcou presença em duas produções. Em História de Amor (1995), ela viveu uma mulher dividida por um triângulo amoroso, em uma novela que Manoel Carlos teria escrito especialmente para ela e Carolina Ferraz. Sua Helena, mãe de Joyce (Carla Marins), criava a filha sozinha e se apaixonava pelo médico Carlos (José Mayer), tendo que lidar com a rivalidade de Paula (Carolina Ferraz) e Sheila (Lilia Cabral).
Três anos depois, em Por Amor (1997), Regina Duarte retornou como Helena, desta vez em uma história que explorava a força e a independência feminina. A personagem se envolvia com Atílio (Antonio Fagundes) e, em uma reviravolta chocante, trocava os bebês recém-nascidos com sua filha Eduarda (Gabriela Duarte), após a jovem perder seu filho no parto.
Vera Fischer interpretou Helena em Laços de Família (2000), uma trama envolta em sacrifício materno. Ao descobrir que sua filha Camila (Carolina Dieckmmann) sofria de leucemia, Helena engravida de Pedro (José Mayer) na esperança de ser compatível para o transplante.
Em Mulheres Apaixonadas (2003), Christiane Torloni deu vida à sexta Helena. Após 15 anos de casamento com Téo (Tony Ramos), a personagem entrava em crise, buscando se separar para redescobrir seus desejos e viver um novo amor.
A terceira interpretação de Regina Duarte como Helena ocorreu em Páginas da Vida (2006). Na pele de uma médica, ela adota Clara, uma criança com síndrome de Down rejeitada pela avó, Marta (Lilia Cabral), enfrentando preconceitos e conflitos familiares.
Taís Araújo foi a primeira atriz negra a interpretar uma Helena, na novela Viver a Vida (2009). Sua personagem era uma top model internacional que, ao se envolver com Marcos (José Mayer) e Bruno (Thiago Lacerda), precisou equilibrar sua carreira com os desafios do amor.
A última Helena a pisar nas telas foi vivida por Julia Lemmertz em Em Família (2014). Filha de Lílian Lemmertz, a intérprete original, Julia deu vida a uma leiloeira de personalidade forte, casada com Virgílio (Humberto Martins), que sofria ao ver sua filha Luiza (Bruna Marquezine) se apaixonar por Laerte (Gabriel Braga Nunes).