A vida e obra do renomado autor de telenovelas Manoel Carlos (1933-2026) foram profundamente influenciadas por eventos pessoais de grande impacto. Uma das primeiras e mais dolorosas perdas de sua trajetória foi a viuvez precoce, em 1972, aos 39 anos, com o falecimento de sua primeira esposa, a artista plástica Maria de Lourdes. O casal havia se unido em matrimônio aos 19 anos, no bairro do Pari, em São Paulo.
Maria de Lourdes, aos 36 anos, foi vítima de um trágico acidente doméstico. Conforme relatado pelo próprio Manoel Carlos em entrevista ao Jornal do Brasil em 2010, ela sofreu uma queda fatal da escada de casa ao tropeçar em seu salto alto. “Foi um golpe duríssimo”, definiu o autor. Desta união nasceram dois filhos: Manoel Carlos Júnior (1954-2012), que seguiu a carreira de diretor de televisão, e Ricardo (1956-1988). Ambos também faleceriam de forma prematura anos mais tarde.
Ricardo faleceu em 1988, aos 32 anos, em decorrência de complicações ligadas à Aids. Dez anos depois, em 2012, Manoel Carlos Jr. morreu aos 58 anos, vítima de um infarto. Essas perdas sucessivas, que atravessaram a vida do autor, são frequentemente apontadas como elementos que contribuíram para a sensibilidade e profundidade de seus personagens e tramas, características marcantes de sua obra.
Apesar das adversidades, Manoel Carlos buscou seguir em frente. Seu segundo casamento foi com a jornalista e ex-deputada estadual Cidinha Campos (83), com quem teve a filha Maria Carolina (53), roteirista e colaboradora em diversos trabalhos do pai. Posteriormente, o novelista estabeleceu um terceiro e duradouro casamento com a museóloga Beth Almeida (70), com quem compartilhou mais de três décadas de sua vida.
Com Beth, Manoel Carlos teve mais dois filhos: Júlia (43) e Pedro (1992-2014). Em 2014, pouco tempo após a exibição de sua última novela, “Em Família”, o autor enfrentou mais uma devastadora perda: a morte de Pedro, aos 22 anos, em Nova York, após um ataque cardíaco. Estas múltiplas perdas familiares moldaram de forma indelével a experiência de vida do icônico autor.
Manoel Carlos, carinhosamente conhecido como Maneco, faleceu no último sábado, 10 de janeiro, aos 92 anos, no Rio de Janeiro. A notícia foi divulgada pelo perfil Boa Palavra no Instagram. O autor estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, onde recebia tratamento para a Doença de Parkinson, que havia comprometido significativamente suas funções motoras e cognitivas no último ano. A causa exata da morte não foi revelada. O velório será restrito a familiares e amigos próximos.
Nascido em São Paulo em 1933, Maneco construiu uma carreira singular na televisão brasileira, tornando-se um dos autores mais celebrados de sua história. Suas novelas, notórias pela força de suas personagens femininas e pela exploração de conflitos familiares, frequentemente ecoavam dores, afetos e experiências vividas pelo próprio autor, especialmente através da icônica figura de suas “Helenas”.