Atrizes que deram vida às icônicas personagens Helena, criadas pelo saudoso dramaturgo Manoel Carlos, compartilharam memórias repletas de emoção, gratidão e um profundo senso de saudosismo em entrevistas recentes. O reconhecimento ao autor, que faleceu no último sábado (10) aos 92 anos, ecoou através das vozes que interpretaram suas criações mais marcantes.
Manoel Carlos, conhecido por sua habilidade ímpar em retratar a complexidade das relações humanas, deixou um legado inestimável para a teledramaturgia brasileira. Em declarações que foram ao ar no programa Fantástico neste domingo (11), as atrizes evocaram a força e a singularidade de suas Helenas.
“Minhas Helenas compartilham uma humanidade profunda, por vezes até cruel em sua crueza”, disse o autor em uma entrevista resgatada pelo programa, capturando a essência de suas personagens.
Vera Fischer, que interpretou uma das Helenas, descreveu a experiência como um presente: “Ganhar o papel da Helena foi como ganhar na loteria. Uma felicidade indescritível. Eu entreguei a Vera para a Helena, e a Helena tomou conta de mim”.
Maitê Proença, que viveu Helena em ‘Felicidade’ (1991), destacou a maestria de Maneco em abordar temas complexos com leveza. “Ele tinha essa capacidade de ser profundo sem ser pesado, de falar sobre relacionamentos de uma forma que cativava a todos”, observou.
Ao longo de sua carreira, Manoel Carlos viu sete atrizes darem vida às suas inesquecíveis Helenas. Júlia Lemmertz, que interpretou a personagem em ‘Em Família’, atribui essa conexão ao profundo amor que o autor nutria pelas mulheres. “Acho que tudo se resume ao amor que ele sentia pelas mulheres, uma fascinação genuína”, comentou.
Lemmertz também ressaltou o impacto pessoal da experiência: “Manoel Carlos me ensinou muito sobre mim mesma e sobre a força do feminino. Tenho uma gratidão imensa por ter tido essa oportunidade. Descanse em paz, meu amado Maneco”.
Um marco na história da televisão brasileira foi a escalação de Taís Araújo como Helena em ‘Viver a Vida’. Ela foi a primeira atriz negra a interpretar uma personagem com esse nome em uma obra de Manoel Carlos, quebrando barreiras e redefinindo paradigmas. “Essa Helena tem um valor imenso na teledramaturgia brasileira por ser a primeira mulher negra nessa posição socioeconômica. Fico muito feliz por ter feito parte dessa história”, declarou Taís.
O renomado dramaturgo Manoel Carlos faleceu aos 92 anos no Rio de Janeiro, no último sábado (10). A notícia foi confirmada pela família e pela produtora Boa Palavra, de sua filha Júlia Almeida. Conhecido carinhosamente como Maneco, o autor, nascido em São Paulo, construiu sua carreira na zona sul carioca, eternizando suas histórias e personagens na memória do público brasileiro.
O velório, reservado a familiares e amigos próximos, ocorreu neste domingo (11). Manoel Carlos vinha enfrentando complicações de saúde decorrentes da Doença de Parkinson e estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, antes de seu falecimento.