O nome de Wagner Moura ressoa com força no cenário cinematográfico internacional, especialmente após sua recente conquista no Globo de Ouro como melhor ator por “Agente Secreto”, obra que também levou o prêmio de melhor filme de drama. Aos 49 anos, o ator baiano, que ostenta uma trajetória meteórica, teve suas origens marcadas por um evento de grande impacto em sua infância humilde no sertão da Bahia.
Um vídeo que viralizou em 2024 trouxe à tona um registro emocionante de sua juventude: uma entrevista concedida por um pequeno Wagner, então com 11 anos, à televisão. Na ocasião, ele falava sobre a experiência de ter que deixar sua cidade natal, Rodelas (BA), devido à inundação causada pela construção de uma barragem. Vestindo roupas sujas de lama, o menino demonstrava a estranheza da mudança e a saudade de sua antiga moradia, um vislumbre raro e tocante de seu passado.
A cena ocorreu em Rodelas, um município de cerca de sete mil habitantes próximo à divisa com Pernambuco, onde uma equipe de reportagem buscava retratar os impactos da construção da barragem do Rio São Francisco, que forçou a realocação da população. Entre as crianças que brincavam nos arredores, o repórter elegeu o mais comunicativo para uma conversa. Tratava-se do jovem Wagner Moura, já revelando o carisma que, mais de três décadas depois, o consagraria como estrela de Hollywood.
Ainda que a indicação ao Oscar de Melhor Ator por “O Agente Secreto” fosse uma possibilidade palpável, a trajetória de Moura até o estrelato global é repleta de curiosidades. Antes de conquistar as telas internacionais, o ator teve um breve, porém marcante, passo pelo jornalismo. Formado na área, sua incursão profissional inicial foi como repórter de celebridades no programa “Michele Marie Entrevista”, exibido na TV Bahia.
Sua estreia no cinema, em “Sabor da Paixão”, uma coprodução entre Brasil, Espanha e Estados Unidos, estrelada por Penélope Cruz, foi descrita por Moura como uma experiência traumática. Ele expressou descontentamento com o tratamento dado aos atores coadjuvantes no set.
O primeiro papel de protagonista no cinema veio três anos depois, em “Deus é Brasileiro”, ao lado de Antonio Fagundes. Curiosamente, o papel só se tornou dele após a recusa de Selton Mello. Uma coincidência semelhante levou Wagner Moura a interpretar seu personagem de maior sucesso na televisão: o carismático “boy de catiguria” de Bebel (Camila Pitanga) na novela “Paraíso Tropical”, após Selton Mello também declinar da oferta.
Paralelamente à carreira de ator, Wagner Moura nutre uma paixão pela música. No início dos anos 1990, fundou a banda “Sua Mãe” com colegas de faculdade, que inicialmente se propunha a fazer covers do The Cure, mas expandiu seu repertório para incluir influências do brega.
A disciplina e a força física são outras facetas do ator. Durante as filmagens de “Tropa de Elite”, ele encontrou refúgio em uma academia de artes marciais no Recife. Faixa marrom em jiu-jítsu, Moura pratica o esporte há duas décadas e mantém os treinos mesmo após sua mudança para Los Angeles em 2017, buscando mais privacidade para sua família.
A decisão de se mudar para o exterior, com sua esposa, a jornalista e fotógrafa Sandra Delgado, e seus três filhos – Bem, Salvador e José –, foi motivada tanto por oportunidades profissionais em língua inglesa quanto pelo desejo de uma vida mais reservada. O relacionamento do casal, iniciado na faculdade, consolidou-se ao longo dos anos, com a união oficializada em 2017. Em suas próprias palavras, Sandra é quem o mantém com os pés no chão, permitindo que ele veja a vida com simplicidade.