O ano de 2026 iniciou com uma nova realidade para o salário mínimo brasileiro. Após registrar um expressivo aumento de 7,5% em 2025, o piso nacional foi reajustado em 6,79% a partir de 1º de janeiro, atingindo o valor de R$ 1.621. Esta elevação, embora represente um ganho para os trabalhadores, ficou aquém das projeções orçamentárias iniciais, refletindo os efeitos de novas restrições fiscais e uma inflação mais controlada.
A política de valorização do salário mínimo, que busca garantir um ganho real acima da inflação, continua em vigor. No entanto, o percentual de 6,79% é fruto de uma combinação específica de fatores. A Constituição Federal determina que o piso salarial seja, no mínimo, reposto pela inflação. Para 2026, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado até novembro de 2025 foi de 4,18%. Sem o adicional de ganho real, o salário teria alcançado R$ 1.582.
O componente de ganho real foi limitado a 2,5%, conforme estabelecido pelo arcabouço fiscal. A soma desses dois índices – 4,18% de inflação e 2,5% de ganho real – resultou no reajuste final de 6,79%. O valor de R$ 1.621 ficou ligeiramente abaixo da estimativa de R$ 1.631 prevista no Orçamento de 2026, devido a uma inflação oficial que se mostrou inferior às expectativas do mercado no final do ano anterior.
O impacto deste ajuste abrange aproximadamente 59,9 milhões de brasileiros, incluindo trabalhadores formais (CLT), aposentados e beneficiários de programas sociais como o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O aumento nominal de R$ 103, no entanto, enfrenta o desafio de acompanhar o custo de vida. Dados do Dieese indicam que, em novembro de 2025, o salário mínimo ideal para sustentar uma família de quatro pessoas seria de R$ 7.067,18. O valor atual de R$ 1.621 cobre apenas cerca de 23% dessa necessidade, o que sugere um ganho real limitado na prática, principalmente para bens de maior valor agregado ou lazer.
A elevação do salário mínimo também afeta diretamente as contas públicas. Despesas obrigatórias do governo federal, como benefícios previdenciários, o BPC, seguro-desemprego e abono salarial, são automaticamente atualizadas. Para os Microempreendedores Individuais (MEI), a Contribuição Mensal (DAS) passa a ser de R$ 81,05, correspondente a 5% do novo piso. Estima-se que cada R$ 1 de aumento no salário mínimo represente um acréscimo de cerca de R$ 420 milhões nas despesas anuais do governo. O aumento de R$ 103 em 2026, portanto, implica um gasto adicional de aproximadamente R$ 43,2 bilhões para o Tesouro Nacional.
Para os trabalhadores com carteira assinada (CLT), o novo valor do salário mínimo passou a vigorar em 1º de janeiro. Contudo, o pagamento efetivo do salário referente a janeiro, já com o reajuste, ocorrerá no início de fevereiro, até o quinto dia útil do mês. Isso significa que a diferença pode ser percebida na conta bancária com um intervalo de até 25 dias.