Neto Maciel, companheiro do jornalista Erlan Bastos, que faleceu aos 32 anos em Teresina, Piauí, no último sábado (17), utilizou as redes sociais para expressar sua indignação e apontar o que considera falhas graves no atendimento médico recebido pelo comunicador. Em uma série de vídeos publicados no Instagram, Maciel detalhou os últimos dias de vida de Bastos, que sucumbiu a complicações decorrentes de tuberculose, e fez um alerta sobre as deficiências do sistema de saúde.
De acordo com o relato de Neto Maciel, os primeiros sintomas da doença surgiram em dezembro, durante uma viagem do casal a Macapá. Inicialmente, os médicos suspeitaram de câncer, e exames como tomografia e ressonância magnética foram realizados. No entanto, a busca por um diagnóstico mais preciso levou o casal a Teresina. “Fomos para Teresina atrás de uma melhoria, e conseguimos ir para o Hospital Natan Portella, foi lá que uma médica suspeitou da tuberculose”, explicou Maciel.
O companheiro do jornalista lamentou que, em muitas das primeiras consultas, o tratamento se limitava à prescrição de analgésicos, como o Buscopan, sem uma investigação aprofundada das causas dos sintomas. “Em muitas dessas idas ao hospital, os médicos descreviam apenas Buscopam e o levavam para casa”, declarou, evidenciando a falta de acompanhamento clínico adequado.
Neto Maciel ressaltou que o casal buscou atendimento em diversas instituições de saúde, tanto públicas quanto privadas, em Macapá e Teresina, incluindo hospitais de referência. Apesar disso, a origem dos sintomas permaneceu incerta por semanas, gerando angústia e atrasando o diagnóstico correto.
O viúvo também teceu críticas à estrutura do sistema de saúde, mencionando a precariedade e as deficiências encontradas. “Queria deixar claro também as deficiências e precariedades do nosso sistema de saúde. O Erlan não cuidava bem da saúde, fato, mas também teve muita negligência do sistema de saúde”, afirmou. Ele desmentiu rumores sobre falta de recursos financeiros, garantindo que o casal teve acesso a hospitais privados renomados, como o São Camilo, em Macapá, e o São Marcos, em Teresina.
Após ser transferido para o Hospital Natan Portella, Erlan Bastos iniciou o tratamento para tuberculose peritoneal e, inicialmente, apresentava boa resposta. Contudo, o quadro clínico se agravou repentinamente na sexta-feira (16). Os médicos recomendaram a transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido a um derrame pleural, o que exigiu a intubação do jornalista. Neto Maciel relatou ter sido acionado durante a madrugada para autorizar o procedimento, após consultar a mãe de Erlan.
Poucas horas depois, o jornalista veio a óbito. “É uma dor que não tem como descrever”, desabafou. Em sua mensagem final, Neto Maciel destacou o legado profissional de Erlan Bastos e assegurou que o projeto Em Off continuará ativo, como forma de honrar a missão e o trabalho do comunicador. “O site, ele continua porque esse trabalho ele não pode ser perdido”, concluiu.