A influenciadora Virginia Fonseca gerou curiosidade entre seus seguidores ao compartilhar nas redes sociais um presente recebido do jogador Vini Jr.: um chinelo diferenciado, supostamente projetado para auxiliar no controle da ansiedade e do estresse. O gesto, que ocorreu após uma crise de enxaqueca, reacende o debate sobre a conexão entre o bem-estar emocional e essa condição neurológica.
Virginia tem utilizado sua plataforma para conscientizar sobre a importância do cuidado com a saúde, especialmente no manejo da enxaqueca, uma condição que a afeta pessoalmente e a levou a buscar acompanhamento médico. A relação entre estresse e enxaqueca é significativa, pois o estresse é reconhecido como um dos principais gatilhos que podem tanto iniciar quanto intensificar as crises de dor.
De acordo com a neurologista Thais Villa, a liberação de hormônios como cortisol e adrenalina durante períodos de tensão afeta o sistema nervoso central, podendo desencadear ou agravar a enxaqueca. “Para a pessoa com enxaqueca, que já tem um cérebro caracteristicamente hiper excitado, passar por situações de aflição, esgotamento e preocupações pode piorar um quadro que ela já vive, deixando o cérebro ainda mais em sofrimento e, com isso, mais sintomático”, explica a especialista.
A enxaqueca, além da dor de cabeça pulsátil, pode manifestar-se através de uma série de sintomas complexos. Estes incluem sensibilidade aumentada à luz (fotofobia), sons (fonofobia) e odores (osmofobia); alterações visuais conhecidas como aura; dormência e formigamento; fraqueza unilateral; rigidez no pescoço e ombros; tontura ou vertigem; zumbido no ouvido; náuseas, com ou sem vômitos; inchaço e lacrimejamento ocular; congestão nasal; dor facial; bruxismo; alterações na pressão arterial e frequência cardíaca; fadiga; dificuldades de concentração e memória; e até mudanças de humor.
A Dra. Villa ressalta o alto impacto físico da enxaqueca, descrevendo como a dor incapacitante, os enjoos que impedem a alimentação, a tontura que dificulta atividades rotineiras, a hipersensibilidade sensorial, a confusão mental e a dificuldade na comunicação podem agravar o estresse e comprometer a saúde geral do indivíduo.
A enxaqueca é uma doença crônica de origem hereditária que afeta cerca de 15% da população mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de sua prevalência e gravidade, o diagnóstico preciso, que deve ser realizado por neurologistas, ainda enfrenta desafios.
“O tratamento ideal não se limita à prescrição de medicamentos pontuais. A enxaqueca exige uma abordagem multidisciplinar e integrada. O Tratamento 360º é uma estratégia que considera o paciente em todas as suas particularidades. Recursos modernos, como o uso de toxina botulínica (botox) e anticorpos monoclonais anti-CGRP, têm se mostrado altamente eficazes no controle da doença”, conclui a neurologista.