O Sambódromo da Marquês de Sapucaí é palco de inúmeras histórias de sucesso, mas poucas brilham com a intensidade e solidez do Camarote Allegria. O que começou como um projeto pessoal de um entusiasta do Carnaval carioca, sob a batuta do empresário Diógenes Queiroz, conhecido como Bjay, tornou-se uma das marcas mais cobiçadas da folia brasileira. Com uma década de existência, o espaço se consolida não apenas como um ponto de observação privilegiado, mas como um destino em si, combinando luxo all inclusive de alto padrão com a energia vibrante da avenida.
Bjay, reconhecido por sua visão estratégica e um rigoroso foco na experiência do folião, revela os bastidores de uma operação que soube harmonizar sofisticação e a essência democrática do Carnaval. Para ele, o Allegria transcende a simples visualização dos desfiles, oferecendo uma atmosfera definida como um “estado de espírito”, construída a partir de gastronomia refinada, atrações exclusivas e um serviço impecável.
Em entrevista exclusiva ao Palcos & Telas, o empresário discorre sobre a evolução do camarote em meio às transformações do Carnaval, os desafios inerentes à manutenção da excelência em uma operação que se estende por nove noites, e as expectativas para a edição comemorativa de 10 anos, prometendo uma celebração com os pés “no chão e coração na Sapucaí”.
O segredo por trás da operação: inovação constante e escuta ativa
Questionado sobre a manutenção do alto padrão de qualidade de um evento de tamanha magnitude, Bjay enfatiza a importância de nunca se acomodar. “O Allegria é um projeto vivo, que se renova a cada Carnaval”, afirma. O trabalho de planejamento se estende por todo o ano, com atenção meticulosa a cada detalhe da experiência do público: conforto, música, estética, serviço, energia e entrega. “Nada é feito de forma automática”, garante. O sucesso de cada edição é atribuído a esse cuidado minucioso e, fundamentalmente, à escuta atenta dos verdadeiros amantes do Carnaval. “Quando acaba um Carnaval, eu já começo a pensar no próximo”, revela, antecipando uma edição de 2026 ainda mais especial para marcar os 10 anos.
Curadoria musical: entre o feeling e a demanda do público
A seleção de atrações musicais no palco do Allegria é um delicado equilíbrio entre a intuição e a opinião dos frequentadores. Bjay destaca que o camarote é “feito para quem ama Carnaval”, e por isso, a escuta dos sambistas e do público é primordial. Contudo, a experiência de anos trabalhando com entretenimento também molda seu “feeling” e intuição. A curadoria busca respeitar o momento da Sapucaí, o desfile em andamento, o público da noite e a identidade própria do Allegria, visando criar uma “trilha sonora que converse com a emoção da avenida”, e não apenas apresentar grandes nomes.
Expansão e conforto: o Allegria se adapta e cresce
Em resposta à valorização do conforto pelo público, o Allegria ampliou sua frisa no ano anterior. Para 2026, novas melhorias estão planejadas, incluindo um aumento ainda maior do espaço físico do camarote e uma reorganização das áreas, com destaque para um novo e ampliado espaço para o buffet. “Tudo pensado para oferecer ainda mais conforto, fluidez e qualidade de experiência”, explica Bjay. A maturidade do projeto de 10 anos se reflete em ajustes com propósito, que respeitam a história do camarote e aprimoram a vivência do público, prometendo uma experiência “ainda mais especial” para quem já é fã.
Nove noites de folia: um diferencial estratégico
A oferta de nove noites de festa durante o Carnaval é um dos grandes diferenciais do Allegria, que abraça a ideia de que a folia vai além dos dias oficiais de desfile. A iniciativa se estende à promoção de visitas aos ensaios das escolas de samba, reforçando a percepção de que o Carnaval é um processo que exige preparo e esforço comunitário. A logística para acompanhar de perto o camarote em todas essas noites é intensa, mas Bjay faz questão de estar presente, circulando, observando e ouvindo o público. “É cansativo, mas é também o que me move. Se eu não estiver vivendo aquilo, perde o sentido”, declara.
Responsabilidade sonora: respeito ao desfile e ao público
A questão do vazamento de som para a pista da Sapucaí é tratada com “total responsabilidade” pelo Allegria. A empresa segue rigorosamente as determinações da Liesa e investe em tratamento acústico em toda a estrutura interna. Além disso, um monitoramento constante dos níveis de decibéis garante que o som não extrapole os limites permitidos. “Temos plena consciência do nosso papel dentro da Sapucaí: o Carnaval é, antes de tudo, o espetáculo das escolas de samba. O camarote precisa somar à experiência, nunca competir ou interferir no desfile”, ressalta Bjay.
Identidade visual: cores, temas e camisas que contam histórias
A escolha das cores, temas e camisas do Allegria parte de um conceito que visa contar uma história, dialogando com o espírito do Carnaval e o público. Em parceria com a Paradise, que assina o conceito das camisas, o objetivo vai além da estética: é sobre criar identidade. “As pessoas guardam essas camisas, colecionam, criam memória afetiva. Isso é muito especial pra mim”, compartilha.
O futuro em 2026: uma década de celebração e surpresas
O ano de 2026 marca os 10 anos do Allegria, uma celebração que se traduzirá em uma edição “ainda mais intensa, diversa e cheia de significado”. A programação foi concebida como um reflexo da trajetória do camarote, apresentando uma mistura plural e democrática de ritmos e públicos. Nomes como Péricles, Thiaguinho, Ludmilla, Dennis DJ, Banda Eva e Pedro Sampaio estão confirmados, prometendo “encontros inesperados e noites temáticas que prometem surpreender” os presentes.