O Campeonato Brasileiro de 2026 deu o pontapé inicial na quarta-feira, 28 de janeiro, marcando um retorno inédito do torneio ao primeiro mês do ano após um hiato de 34 temporadas. Essa alteração significativa no calendário é parte de uma ampla reformulação promovida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e representa a primeira vez que a competição se inicia em janeiro desde a adoção do sistema de pontos corridos em 2003.
Com a nova configuração, o Brasileirão de 2026 se consolida como a edição mais longa de sua história, com previsão de encerramento em 2 de dezembro. Ao longo de 12 meses e 38 rodadas, o campeonato sofrerá uma interrupção de 50 dias devido à Copa do Mundo, o que motivou a CBF a reorganizar as datas e a diminuir o espaço dedicado aos campeonatos estaduais.
Desde a implementação do formato de pontos corridos, o Brasileirão costumava ter seu início entre março e maio, culminando no final do ano. A única exceção recente foi a edição de 2020, que sofreu com os impactos da pandemia de Covid-19. Antes disso, o cenário era distinto: nas décadas de 1980 e 1990, era comum que o Campeonato Brasileiro abrisse o calendário nacional, com os torneios estaduais ocupando o segundo semestre.
A última vez que o Brasileirão teve sua rodada inaugural em janeiro foi em 1992, com os jogos começando no dia 26 do mês. Naquela ocasião, a decisão do título ocorreu em julho, com o Flamengo sagrando-se campeão. Um recorde ainda mais precoce foi registrado em 1982, quando o torneio iniciou em 16 de janeiro e se estendeu até agosto, coroando o clube rubro-negro mais uma vez.
Desde 1971, quando a competição passou a ser oficialmente denominada Campeonato Brasileiro, seis edições foram iniciadas em janeiro: 1981, 1982, 1983, 1984, 1985 e 1992. O Brasileirão de 2026 se tornará a sétima edição com essa característica. Em outras sete oportunidades, jogos do campeonato chegaram a ser disputados em janeiro, mas em decorrência da extensão do calendário, como ocorreu em 1973, 1977, 1986, 1987, 1988, 2000 e 2020.
A edição de 1992 representou um período particular do futebol brasileiro. Naquele tempo, o Brasil ostentava o tricampeonato mundial, o sistema de pontos corridos ainda era uma ideia distante, a Copa do Brasil estava em sua quarta edição e os clubes brasileiros somavam apenas seis títulos da Libertadores. O Palmeiras possuía quatro títulos nacionais reconhecidos, o Corinthians registrava apenas uma conquista, e o Santos ainda não tinha a contagem oficial dos troféus conquistados entre 1961 e 1968.
O formato do Campeonato Brasileiro de 1992 diferia consideravelmente do atual. As 20 equipes participantes se enfrentavam em turno único na primeira fase, com os oito melhores avançando para uma segunda etapa dividida em dois grupos de quatro. Após disputarem turno e returno dentro de suas chaves, os líderes se classificavam para a final, decidida em jogos de ida e volta, onde o time com melhor campanha mandava o jogo de volta. Curiosamente, esse modelo guarda semelhanças com o adotado atualmente na Série C do Campeonato Brasileiro.
Naquela final inédita de Campeonato Brasileiro entre Flamengo e Botafogo, os dois clubes lideraram seus respectivos grupos na segunda fase. O jogo de ida, realizado no Maracanã diante de mais de 100 mil espectadores, viu o Flamengo vencer por 3 a 0. A partida de volta, uma semana depois, foi marcada por uma tragédia com o desabamento de uma arquibancada, resultando na morte de três pessoas. Apesar do incidente, a decisão prosseguiu, e o empate em 2 a 2 garantiu o pentacampeonato ao Flamengo.
Em 2026, o retorno do Brasileirão para o início em janeiro ocorre em um contexto totalmente diferente. A CBF justifica a medida como uma estratégia para alinhar o calendário nacional ao internacional, minimizar conflitos com convocações de seleções e abrir espaço para datas da FIFA, as fases decisivas da Copa do Brasil e os compromissos em competições continentais como a Libertadores e a Sul-Americana.