A cantora Reddy está prestes a lançar seu mais novo projeto audiovisual, o EP “Reddy – Ao Vivo, Vol 1”, que chega às plataformas digitais nesta quinta-feira (29). Este lançamento marca um ponto de virada significativo na carreira da artista, apresentando uma coleção de faixas que resgatam e reinterpretam elementos cruciais em sua formação musical.
O EP, composto por três faixas, destaca o single inédito “Beba”. Além da novidade, o projeto inclui releituras de sucessos consagrados: “Como Um Anjo”, originalmente interpretada pela dupla sertaneja César Menotti e Fabiano, e “Adão e Eva”, um clássico da Banda Calcinha Preta.
Em entrevista exclusiva ao Portal iG, Reddy, conhecida também pela música “Clichê dos Amores” – parceria com Gaby Amarantos e Gabeu que integra a trilha sonora da novela “Coração Acelerado” da TV Globo –, detalhou o significado do EP como um marco para uma nova etapa em sua trajetória. Ela abordou suas influências musicais, a forma como sua recente transição de gênero moldou o processo criativo e a liberdade recém-descoberta na expressão artística.
“Este EP é parte de um grande movimento da minha vida e carreira, que é o meu momento de transição de gênero. Essa jornada está intrinsecamente ligada a quem eu sou e a quem sou artisticamente”, explicou Reddy. Ela ressaltou que a personagem Reddy nasceu de seu trabalho como cantora e drag queen, e que agora se compreende como Reddy em sua totalidade. “Sinto-me mais leve, mais à vontade para falar sobre mim e meus processos. Tudo tem sido mais prazeroso, desde a música, o visual até o lançamento. Este projeto fala muito sobre a minha verdade nesse novo momento, com composições minhas”, complementou.
A artista revelou que sua transição de gênero tem permitido um acesso mais profundo aos seus sentimentos, superando um bloqueio criativo anterior. “Eu sempre tive um grande bloqueio criativo, mesmo sendo criativa. Relacionava-se com acessar sentimentos internos e profundos. Agora, consigo ir muito mais fundo em mim, falar sobre sensações, angústias, temas que antes me causavam receio. Essa nova fase me torna criativamente mais autêntica”, afirmou.
Sobre ser uma artista trans em gêneros como sertanejo e forró, tradicionalmente dominados por artistas cisgênero, Reddy descreve a situação como “muito doida”, mas genuína. “É uma novidade no mercado, mas é tão genuíno para mim, quem eu sou e o que faço, que não carrego um peso. Não fico pensando em ambientes machistas ou resistentes à minha proposta. É algo natural e que amo fazer”, declarou.
A escolha por um projeto ao vivo para este momento especial foi motivada por um sonho antigo. “Sempre sonhei em ter um projeto ao vivo, um DVD, cantar com potência e emoção. Nada se iguala à visceralidade e à realidade do ao vivo. Esse projeto, por ser tão atrelado ao meu eu completo, à minha naturalidade, precisava ser ao vivo para demonstrar o que eu estava vivendo naquele instante”, justificou.
A faixa inédita “Beba” foi concebida com inspiração em Marília Mendonça, ícone para Reddy. “Queria uma música sertaneja, sofrência, comercial e com melodia cativante. “Beba” tem essa essência e eu sabia do seu potencial de destaque desde o início”, comentou a cantora.
Reddy também explicou a fusão de gêneros no EP, misturando influências do sertanejo com a brasilidade do forró, axé e carnaval. “Sempre amei essas influências. O forró carrega o Brasil e se mistura com o sertanejo. No EP, regravei “Como Um Anjo” com uma pegada de forró para trazer mais brilho e solaridade à música”, detalhou.
Olhando para o futuro, Reddy adianta que um álbum mais conceitual, com forte carga sentimental e espiritual, está em desenvolvimento, mas sem data definida. Paralelamente, planeja mais projetos ao vivo, formato que a cativou pela leveza e autenticidade. “Gosto de deixar as coisas acontecerem, mas os passos para algo maior já estão sendo dados internamente”, disse.
O EP será lançado em duas partes. A primeira, com “Beba”, “Adão e Eva” e “Como Um Anjo”, chega antes do Carnaval. Após a folia, será lançada a segunda parte, com músicas mais densas e viscerais, incluindo uma regravação autoral de “Clichê dos Amores”, aproveitando o sucesso da canção na novela das 19h da Globo.
“A segunda parte se conecta a um conceito mais boêmio, ligado ao ambiente de bar e ao sofrimento nesse contexto. Falo dos meus sentimentos internos com esse viés da vida noturna”, explicou Reddy sobre a temática.
Suas expectativas para esta nova fase são “muito altas”. “Este projeto fala mais de mim, tem mais da minha essência. Estou vivendo um momento de grandes mudanças, incluindo minha transição de gênero, mudança de casa, longe da família, morando com meu namorado. É um período de muito aprendizado e autoconhecimento, como se estivesse conhecendo o mundo e a mim mesma novamente”, concluiu.