A atriz e humorista Nany People, 60 anos, utilizou sua voz em entrevista ao iG para expressar profunda indignação diante do aumento da violência contra mulheres no Brasil e da repercussão do chocante Caso Orelha, que envolve a morte de um cão comunitário em Florianópolis (SC). Conhecida por seu ativismo em defesa dos direitos humanos e da causa animal, a artista defendeu a necessidade de alterações urgentes no Código Penal e criticou o que chamou de uma “perda de noção de respeitabilidade” na sociedade.
Nany People enfatizou a importância de abordar tais questões, declarando: “A gente tem que falar muito, tem que falar mesmo. Eu sou militante dessa causa de repensar seriamente e mudar o nosso Código Penal, não só pela causa animal, mas também pelo feminicídio e pela transfobia.” Ela relatou que, em suas viagens pelo país para compromissos profissionais, testemunha diariamente notícias de extrema violência contra mulheres, desabafando: “Eu viajo esse Brasil inteiro e não tem um dia em uma cidade que não tenha dois ou três feminicídios.”
Ao comentar o Caso Orelha, Nany People demonstrou revolta com o que percebeu como tentativas de minimizar a gravidade do crime. O animal, que era conhecido na Praia Brava há cerca de uma década, sofreu agressões em 4 de janeiro de 2026, falecendo no dia seguinte. Laudos da Polícia Científica indicaram que o cão sofreu um impacto severo na cabeça, possivelmente de um chute ou objeto contundente. A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito no início de fevereiro, identificando um adolescente como o autor da agressão e solicitando sua internação provisória.
Segundo Nany, o episódio expõe falhas estruturais na legislação brasileira. “Faz um mês que o cachorro foi mutilado e já tentam levantar tese de atropelamento. Pelo amor de Deus, é chamar a gente de idiota. Todo mundo sabe como foi feito”, afirmou, relatando também intimidações a testemunhas e a ausência de imagens de câmeras de segurança na área. A artista fez um comparativo com legislações estrangeiras, citando que “Na Alemanha, você paga mais pena por matar ou judiar de um animal do que por enfrentar um humano. Nos Estados Unidos, a pena também é severa. Por que o Brasil ainda anda em câmera lenta?”
A humorista também questionou a responsabilização de adolescentes, argumentando: “Se um jovem de 16 anos pode votar, por que não pode pagar pelas barbaridades que faz?” Conhecida por sua franqueza, Nany People declarou que não se intimida com críticas e continuará a se manifestar enquanto tiver voz, ressaltando que “quando a pena é severa, todo mundo fica esperto”.
Engajada na proteção animal, Nany revelou que todos os seus animais são resgatados e que contribui financeiramente com ONGs e abrigos. Para ela, casos como o de Orelha e os constantes feminicídios evidenciam a urgência de uma transformação profunda, concluindo: “Enquanto mexer nesse estatuto parecer festa da impunidade, todo mundo aponta, mas ninguém paga nada.”