A TV Brasil está prestes a inaugurar uma nova era em sua programação com o anúncio de sua primeira novela produzida integralmente com recursos próprios. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) revelou nesta quarta-feira os 39 projetos selecionados em um edital que visa ampliar a oferta de conteúdo do canal público, com um destaque especial para o aporte de R$ 15 milhões destinado à criação de uma obra de ficção seriado.
A produtora Kromaki foi a vencedora da concorrência para desenvolver a novela, apresentando o projeto intitulado “Vambora”. A iniciativa superou outras propostas, como “Império do Sul”, da Mira Filmes, e “Pai Herói”, uma releitura do clássico dos anos 70 pela Midgal Filmes, conhecida por trabalhos como o longa “Caramelo” para a Netflix.
Esta produção marca a estreia da emissora pública no formato de telenovela com uma obra autoral inédita em seu portfólio.
Sinopse de “Vambora”
A trama de “Vambora” gira em torno de Aline, uma advogada negra, moderna e bem-sucedida que reside em Salvador, Bahia, ao lado de sua mãe, Lucília. A narrativa ganha contornos dramáticos quando Lucília começa a apresentar sinais de perda de memória e revela um segredo de juventude: o pai de Aline é um antigo amor que reside em Portugal. Mãe e filha embarcam então em uma jornada de busca repleta de reviravoltas, pistas enganosas e intensos conflitos familiares.
Em meio a um triângulo amoroso com JP, um fotógrafo charmoso, e Davi, um segurança íntegro que luta para proteger o filho de uma quadrilha, Aline se vê envolvida em uma complexa teia de corrupção, tráfico humano e violência transnacional.
“Vambora” propõe uma fusão entre os elementos clássicos das telenovelas brasileiras e uma linguagem contemporânea, com forte ênfase na cultura baiana e lusófona, além de um protagonismo negro marcante. A novela terá seu desenvolvimento dividido entre Brasil e Portugal, com trama e elenco distribuídos nos dois países.
Segundo Fátima Sá, representante da Kromaki, “Vambora não é uma novela brasileira com participações portuguesas, nem o contrário. É um diálogo real entre duas culturas. Ela fala de verdade, de memória, de amor e de escolhas difíceis. E trata de temas muito atuais, como migração e tráfico de pessoas. É uma história potente que faz sentido na TV pública porque conversa com milhões de brasileiros que vivem essas realidades.”.
A direção da novela ficará a cargo de Roberta Richard, e embora ainda não haja um cronograma de gravações definido, a expectativa é de que os trabalhos comecem ainda em 2026. O roteiro é assinado por Daniel Berlinsky, profissional com passagens por produções como “Gabriela”, “Amor à Vida”, “Éta Mundo Bom” e “Pega Pega”, além de formação internacional e 12 anos de experiência em dramaturgia.
André Basbaum, presidente da EBC, ressaltou a importância estratégica da iniciativa: “Esse é um marco imenso para a TV pública brasileira. Nesse momento que atravessamos com tanta desinformação e autoritarismos em muitas partes do mundo, a cultura é o único caminho”.
A alocação desses recursos reflete o compromisso da emissora em diversificar seus formatos e alcançar novos públicos, fortalecendo o papel da TV Brasil como plataforma de conteúdo original nacional. Este movimento representa uma expansão substancial nas operações de produção própria do canal estatal.