A recente edição do Art Basel no Qatar transcendeu a categoria de feira de arte para se tornar um evento de alta sociedade, comparável às mais prestigiadas reuniões da realeza europeia. Entre os dias 5 e 7 de fevereiro, com pré-visualizações exclusivas nos dias 3 e 4, a capital Doha acolheu colecionadores, curadores e figuras proeminentes do cenário artístico internacional, onde a presença discreta, porém influente, da família real Al Thani adicionou um selo de exclusividade.
A atuação da dinastia Al Thani conferiu ao evento uma atmosfera de sofisticação e prestígio, indicando que a iniciativa ia além de uma mera transação comercial. Visitas privadas, encontros estratégicos e uma curadoria meticulosa sinalizaram o evento como um projeto cultural com assinatura real.
Sob a liderança de Sheikha Al Mayassa bint Hamad bin Khalifa Al Thani, presidente do Qatar Museums e uma das personalidades mais influentes no circuito global de arte, o país solidifica sua posição como um polo cultural de destaque. Com 43 anos, sua visão estratégica e apurado senso estético têm sido fundamentais para essa ascensão.
Al Mayassa, com elegância e atenção aos detalhes, supervisionou os bastidores do Art Basel Qatar, reforçando a filosofia de que a arte é um legado. Sob sua gestão, museus se tornaram marcos arquitetônicos, exposições alcançaram projeção mundial e Doha se firmou como uma capital cultural do século XXI.
O Emir Sheikh Tamim bin Hamad Al Thani, com 45 anos, conferiu peso institucional ao evento, demonstrando que a cultura é um pilar da identidade nacional e da estratégia de projeção internacional do Qatar. Seu apoio às artes espelha a tradição de monarquias que utilizam a cultura como elo entre o passado, o presente e o futuro, evidenciando continuidade e refinamento.
Em meio a salões cuidadosamente iluminados, obras de arte cobiçadas e conversas privadas, o Art Basel em Doha revelou a face do poder contemporâneo que se manifesta com discrição, prestígio e um planejamento de longo prazo. A família real não apenas acolheu o mundo, mas também ditou o ritmo, o tom e o significado do encontro.
Ao transformar uma feira internacional em um evento social de vulto, os Al Thani reafirmaram seu papel como anfitriões globais. Doha, mais uma vez, demonstrou sua capacidade de harmonizar tradição e modernidade, opulência e estratégia, arte e poder, com a naturalidade de quem entende que a verdadeira influência é construída com tempo, elegância e propósito.
O Art Basel, reconhecido como um dos principais indicadores do mercado global de arte contemporânea, foi fundado na Suíça em 1970. O evento reúne galerias de renome mundial, colecionadores de elite, líderes culturais e decisores que movimentam bilhões em negócios e influência simbólica.
Mais do que uma exposição, o Art Basel funciona como um ambiente seletivo para a definição de tendências, o desenvolvimento de carreiras e a legitimação de valores culturais. Muitas das decisões cruciais ocorrem longe dos holofotes, em visitas e encontros privados, acentuando seu caráter exclusivo.
Ao longo de cinco décadas, o evento expandiu seu alcance para centros como Miami Beach, Hong Kong e Paris, sempre refletindo a importância cultural e econômica de cada local. A inclusão de Doha nesse circuito não é fortuita, mas sim o reconhecimento do Qatar como um novo epicentro de prestígio cultural internacional, capaz de dialogar em igualdade com o mercado global.