Em um reflexo preocupante de sua recente reformulação, a TV Gazeta registrou em março um dos piores índices de audiência de sua trajetória recente na Grande São Paulo. O canal fechou o mês na modesta 12ª colocação, com uma média de apenas 0,10 ponto, marcando o primeiro mês completo sob sua nova identidade visual.
Essa queda é particularmente significativa, uma vez que a emissora tradicionalmente disputava posições mais elevadas entre as redes abertas de menor porte, competindo diretamente com nomes como RedeTV! e TV Cultura. Contudo, em março, a Gazeta viu sua relevância diminuir consideravelmente, ficando atrás não apenas dessas emissoras, mas também de canais como XSports, Rede Vida, TV Aparecida, RNCP e Record News, evidenciando uma perda de tração para a fundação mantida pela Fundação Cásper Líbero.
No cenário das emissoras abertas aferidas pelo Ibope, a TV Gazeta superou apenas a RIT e a Novo Tempo. Curiosamente, até mesmo canais com foco religioso apresentaram desempenho superior: a Rede Vida alcançou 0,15 ponto e a TV Aparecida registrou 0,14. Em comparação, a RedeTV! obteve 0,28 ponto e a TV Cultura, 0,24, ampliando a distância para um canal que por anos buscou se consolidar como referência de público qualificado na capital paulista.
O ranking consolidado de março na Grande São Paulo foi liderado pela Globo, com 10,2 pontos. Em seguida, vieram Record (3,5), SBT (2,4) e Band (1,0). Abaixo delas, situaram-se RedeTV!, TV Cultura, Rede Vida, XSports, TV Aparecida, RNCP e Record News, antes de a TV Gazeta figurar na 12ª posição com seus 0,10 ponto. Essas informações foram apuradas pelo jornalista Gabriel de Oliveira, do portal TV Pop, com base em dados de mercado.
Nos bastidores, a queda na audiência é atribuída à nova linha editorial implementada sob a gestão de Lucas Gentil, Juliana Algañáraz e José Emílio Ambrósio. A tentativa de reposicionamento da marca parece não ter tido sucesso em reter a base de telespectadores que historicamente sustentava o canal, especialmente o público com mais de 60 anos e consumidores de alto poder aquisitivo.
As perdas mais notáveis foram observadas em programas tradicionais da grade, como o “Mulheres”, agora sob o comando de Glória Vanique, e o “Jornal da Gazeta”, liderado por Joana Treptow. No setor jornalístico, a mudança na bancada, que por décadas contou com a presença contínua de Laerte Vieira e Luciana Magalhães, carrega um peso simbólico considerável na evasão de audiência.
Ao alterar uma identidade de marca historicamente ligada a um público específico sem conseguir preservar essa base, a TV Gazeta viu sua renovação se transformar em perda de terreno. O grande desafio para a emissora agora é demonstrar, em meio a um mercado cada vez mais fragmentado, que sua nova fase é capaz de devolver relevância de fato ao canal.