Catharina Caiado, nome já consolidado nos palcos brasileiros com uma vasta experiência teatral, está vivendo um momento marcante em sua carreira com a interpretação de Carminha na novela “Dona Beja”, produção que sinaliza seu principal trabalho no audiovisual até o momento. A personagem, que foge dos padrões sociais e estéticos de sua época, encontra um amor inesperado no mendigo Honorato Pinto, vivido por Gabriel Godoy. Em conversa exclusiva, a atriz compartilhou suas impressões sobre o papel e os rumos da trama.
Sobre a recepção da novela, Caiado expressou otimismo: “Acredito que a novela, desde o início, foi muito abraçada pela crítica e pelo público. A novela tem um elenco e texto incríveis e foi realizada por uma equipe técnica muito potente. É uma obra com muita qualidade artística e que tem tudo para ser sucesso também em outros lugares.” Ela destacou o desempenho da produção, mencionando que, no Brasil, “Dona Beja” figura como segunda audiência, atrás apenas de “O Cavaleiro dos Sete Reinos”, e que, globalmente, alcançou o sétimo lugar na HBO em curto espaço de tempo.
Questionada sobre as críticas que Carminha enfrenta por sua aparência na trama, Catharina Caiado revelou que, pessoalmente, não vivenciou preconceitos no mercado, mas reconhece as transformações em seu corpo após a maternidade. “Eu acho que o corpo é livre para se transformar. Eu nunca sofri preconceito. Eu sou uma mulher branca de cabelos lisos e padrão em muitos níveis. Eu preciso reconhecer também que meu corpo passou por uma transformação depois de eu me tornar mãe. E foi com esse corpo que eu dei vida a Carminha.” A atriz ressaltou a importância de dar vida a uma personagem que celebra a autolibertação e o desejo, mesmo que tenha receado inicialmente a exposição. “Ela me trouxe muita alegria e libertação. Eu tenho pouco tempo como atriz no audiovisual, mas eu percebo que as pessoas estão sendo convocadas a um olhar mais amoroso para a diversidade de corpos e de sexualidades.”, comentou.
A parceria com Gabriel Godoy foi descrita como “linda” e construída com “alegria muito verdadeira”. “Nós dois viemos do teatro e nos divertimos com nossos palhaços. Estávamos muito entusiasmados em viver esses dois personagens a margem, em busca de pertencimento pelas ruas de Araxá.” Caiado descreveu a relação entre Carminha e Honorato como uma paixão avassaladora e bonita, atribuindo à calma e confiança de Godoy um papel crucial para equilibrar sua própria intensidade.
Refletindo sobre o modelo de produção de novelas para plataformas de streaming, Catharina Caiado vê com bons olhos a expansão da indústria audiovisual brasileira. “É muito importante que a gente encontre cada vez mais formas de fazer e mover a nossa indústria. O Brasil é um país com muita potência de criação. E é muito lindo ver Dona Beja na tela e ver o espelho da nossa força artística e produtiva.” Ela reconhece as particularidades da comunicação com o público em obras fechadas, como “Dona Beja”, que teve suas gravações concluídas há dois anos, e elogia a força do audiovisual nacional em todas as suas plataformas.