A Acadêmicos do Grande Rio encerrou sua participação no Carnaval de 2026 na oitava colocação do Grupo Especial, um resultado aquém das expectativas após um desfile marcado por controvérsias. A agremiação de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, enfrentou um escrutínio intenso, especialmente em torno da performance de sua rainha de bateria, a influenciadora Virginia Fonseca. A estreia de Fonseca à frente dos ritmistas gerou um misto de curiosidade e críticas, com o público e especialistas atentos a cada detalhe.
A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) divulgou o parecer detalhado dos jurados, esclarecendo os motivos por trás das notas atribuídas. Curiosamente, o documento oficial não faz menção direta à atuação de Virginia no quesito bateria, área na qual a rainha não acumula pontos individualmente. Seu papel principal é o de representar os ritmistas, auxiliar na narrativa do enredo e energizar a plateia.
As críticas mais proeminentes direcionadas a Virginia relacionavam-se à sua fantasia. Em determinado momento do desfile, a influenciadora retirou o costeiro, peça que adicionava cerca de 12kg ao traje, demonstrando desconforto com o adereço. No entanto, essa ação ocorreu após a passagem pelos últimos julgadores e com a aprovação do presidente da escola, e não impactou diretamente as notas da bateria. O quesito fantasia, onde a remoção de elementos poderia gerar penalidades, também não foi o motivo de descontos para a escola, conforme as justificativas apresentadas.
As notas da bateria da Grande Rio revelam uma avaliação dividida entre os jurados. Dois deles concederam a nota máxima, 10,0. Outros dois, no entanto, aplicaram descontos. Um jurado atribuiu 9,8, fundamentando sua decisão em problemas observados nas alas 7, 16, 20, 22, 23 e 24, citando a dificuldade em compreender a representação das fantasias e a profusão de referências em um mesmo figurino. Outro jurado descontou um décimo, concedendo 9,9, devido a inconsistências na ala 24, que, em sua avaliação, não correspondeu à proposta do enredo.
As justificativas individuais dos jurados detalham os pontos avaliados. Nelson Pestana apontou variações rítmicas e falta de fluidez nas bossas, gerando uma sensação de “peso morto” na bateria. Rafael Barros, apesar de reconhecer a manutenção da cadência e a clareza dos instrumentos, sugeriu que padrões rítmicos mais complexos poderiam ter explorado melhor o tema do enredo. Hélcio Eduardo, por sua vez, elogiou a manutenção da cadência, a conjugação dos instrumentos e a criatividade das bossas, conferindo nota máxima. Geiza Carvalho também destacou a manutenção da cadência, a conjugação instrumental e a estrutura do arranjo, mas apontou a necessidade de uma ampliação progressiva nas propostas criativas para justificar a nota máxima no quesito.