A cantora Iza demonstrou uma notável capacidade de conciliação ao retornar à Marquês de Sapucaí como Rainha de Bateria da Imperatriz Leopoldinense, pouco tempo após o nascimento de sua filha, Nala. Sua reestreia no Carnaval carioca simboliza uma nova e intensa fase em sua vida, onde a artista equilibra as exigências de um posto de destaque na avenida com os cuidados da maternidade.
Em recentes declarações, Iza descreveu Nala como um “presente”, mas não escondeu a demanda de atenção que a pequena exige, refletindo a complexidade da nova rotina. Essa dicotomia entre a vida profissional agitada e as necessidades de um recém-nascido é um dilema comum para muitas mulheres, levantando a questão de como gerenciar aspirações profissionais e o cuidado com o filho sem sucumbir à culpa.
Para abordar essa questão, a psicóloga perinatal Rafaela Schiavo conversou com a CARAS Brasil, analisando os sentimentos inerentes ao retorno da mulher ao mercado de trabalho após a maternidade. Schiavo enfatiza que o desejo de retomar a carreira é frequente e não deve ser interpretado como falha, sendo a culpa, muitas vezes, fruto de expectativas sociais irrealistas sobre o papel materno.
“Muitas mulheres sentem satisfação na sua atividade profissional e buscam retornar antes dos seis meses. Isso pode gerar um sentimento de culpa, pois a expectativa interna é de que deveriam estar focadas exclusivamente no bebê”, explica a especialista. Ela ressalta que essa culpa é particularmente comum em mulheres que encontram realização em suas carreiras, e que o conflito surge da tensão entre o desejo pessoal e a pressão social por dedicação integral ao filho.
Schiavo salienta que não há nada de errado em buscar um equilíbrio entre os diferentes papéis que a mulher desempenha. “Não há nada de errado em querer voltar ao trabalho, em ter sua atividade ocupacional e sentir prazer em outras áreas da vida que não apenas a maternidade e o bebê”, reitera. A psicóloga aponta que, no caso de Iza, que requer intensa dedicação e preparo físico, a organização prática e a criação de uma rede de apoio confiável são cruciais para minimizar a ansiedade e facilitar a transição.
A especialista recomenda a busca por pessoas de confiança para auxiliar nos cuidados com o bebê, garantindo que as orientações da mãe sejam seguidas. Ela sugere um processo gradual de adaptação, respeitando o tempo da mãe e do bebê para fortalecer o vínculo e a segurança da criança.
“O ideal é aproximar gradualmente o bebê da pessoa que cuidará dele, com a mãe presente em casa inicialmente. Isso permite que o bebê se familiarize e se sinta seguro na presença dessa nova figura”, detalha Schiavo. A comunicação afetiva também é apontada como um diferencial, com a mãe conversando com o bebê sobre seus sentimentos e a necessidade de se ausentar para trabalhar.
A “monitoria positiva”, que envolve manter contato visual ou por áudio com o bebê durante a ausência, é outra estratégia indicada para reduzir a ansiedade. A psicóloga também aconselha a busca por apoio profissional, como o de um psicólogo perinatal, caso a mulher se sinta sobrecarregada.
Schiavo aborda ainda a carga mental associada à maternidade e a pressão estética no meio artístico. Ela reitera que o amor pelo filho e a realização profissional não são mutuamente exclusivos e que o segredo reside no tempo de qualidade dedicado ao bebê. “Se o tempo não for de qualidade, é preciso, sim, uma intervenção profissional para ajudar a entender o porquê”, alerta.
O equilíbrio, segundo a especialista, não se trata de uma divisão matemática do tempo, mas sim de garantir que os momentos compartilhados com o filho sejam significativos e afetivos. A organização, o suporte social e a consciência emocional são fundamentais para que a mulher possa gerenciar sua rotina sem culpa, preservando sua identidade e bem-estar psicológico.
Por fim, Rafaela Schiavo enfatiza a importância de procurar ajuda profissional caso a culpa, o estresse e a exaustão se tornem persistentes e afetem a saúde mental. “Se a situação se tornar complexa a ponto de gerar problemas de saúde mental, é necessário procurar um profissional, principalmente da Psicologia Perinatal, para auxiliar nessa organização e no desenvolvimento de estratégias para um dia a dia mais saudável”, conclui.