A notícia da exumação dos corpos dos cinco integrantes da aclamada banda Mamonas Assassinas, programada para a próxima segunda-feira (23), gerou um debate entre os admiradores do grupo. Quase três décadas após o trágico acidente aéreo que ceifou a vida de Dinho, Bento Hinoto, Samuel Reoli, Júlio Rasec e Sérgio Reoli, seus restos mortais passarão por um processo de cremação, cujas cinzas serão utilizadas para dar vida a árvores de espécies nativas em um memorial.
Esta homenagem póstuma integrará um espaço dedicado à banda, que será erguido no cemitério Parque das Primaveras, em Guarulhos (SP), local onde os músicos foram originalmente sepultados. A iniciativa repercutiu nas redes sociais, com parte do público interpretando o gesto de forma equivocada, comparando-o ao uso dos restos mortais como adubo.
Para esclarecer o projeto e dissipar mal-entendidos, o iG Gente conversou com Jorge Santana, CEO da marca Mamonas e primo de Dinho. Segundo ele, informações sobre o memorial foram divulgadas de maneira imprecisa, o que contribuiu para a confusão.
“Não é que os meninos vão virar adubo, nada assim”, afirmou Santana. “É um projeto lindo, que vai ter um memorial, vai ter tótem, vai ter informações sobre a banda, QR Code… vai ser uma coisa muito legal”. Ele enfatizou que o processo de exumação será conduzido com o máximo respeito e restrito aos familiares, e que os túmulos originais e suas marcações não serão alterados.
Jorge Santana reiterou que a homenagem foi concebida em conjunto com os familiares de todos os membros da banda, buscando um significado positivo e de continuidade. “Não existe nada de pejorativo e desrespeitoso em cima da memória dos meninos. […] Foi um projeto feito em conjunto, não só de um familiar, não só do Dinho, mas de todos os familiares”, concluiu.
O projeto “Plante Uma Árvore” é uma colaboração entre o cemitério Parque das Primaveras e o Bioparque Memórias Vivas, com o objetivo de unir memória afetiva, sustentabilidade e preservação ambiental. Segundo comunicado das empresas envolvidas, as cerimônias utilizam as cinzas da cremação junto a sementes de espécies nativas, em um ciclo simbólico de renovação da vida.
O grupo Mamonas Assassinas, que marcou a década de 90 com sucessos como “Robocop Gay”, “Brasília Amarela” e “Pelados em Santos”, perdeu seus integrantes em 2 de março de 1996. O avião em que viajavam de volta de um show em Brasília chocou-se contra a Serra da Cantareira, no interior de São Paulo. Além dos cinco músicos, o acidente vitimou o piloto, copiloto, um ajudante de palco e um segurança.
A comoção causada pela morte dos Mamonas Assassinas foi imensa. O velório no Ginásio Municipal Paschoal Thomeu, em Guarulhos, reuniu cerca de 30 mil pessoas, e o cortejo fúnebre até o cemitério Parque das Primaveras foi acompanhado por mais de 100 mil fãs. Os cinco integrantes e o ajudante de palco Isaac Souto foram sepultados juntos no mesmo túmulo.
O primeiro e único álbum da banda, lançado em junho de 1995, vendeu 1,8 milhão de cópias até a data do acidente, tornando-se o álbum de estreia mais vendido da história da música brasileira.