A Justiça da Paraíba decidiu manter a prisão do influenciador Hytalo Santos e de seu marido, Israel Vicente, conhecido como Euro. Na última terça-feira (24/2), o Tribunal de Justiça do estado (TJPB) negou mais um pedido de habeas corpus apresentado pela defesa do casal, que permanece detido em regime fechado no Presídio do Roger desde agosto de 2025.
A decisão, que foi tomada por dois votos a um, baseou-se na necessidade de garantir a ordem pública e no risco de fuga dos acusados. Este novo indeferimento ocorre poucos dias após a condenação em primeira instância do casal pelos crimes de produção de conteúdo sexual envolvendo menores. No último sábado (21/2), o juiz Antônio Rudimacy, da 2ª Vara Mista de Bayeux, sentenciou Hytalo a 11 anos e 4 meses de reclusão, enquanto Israel recebeu pena de 8 anos, 10 meses e 20 dias.
A defesa do casal informou que irá recorrer da condenação. É importante ressaltar que, de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, a condenação em primeira instância não implica o início imediato do cumprimento da pena. Isso só ocorre após o trânsito em julgado do processo, quando todas as possibilidades de recurso se esgotam.
Histórico de pedidos de liberdade negados
Esta não é a primeira vez que a defesa de Hytalo Santos e Israel Vicente busca a liberdade por meio de habeas corpus. Pedidos anteriores, apresentados em setembro e novembro do ano passado, também foram rejeitados pelo TJPB. Na ocasião mais recente, o tribunal não apenas negou o pedido de soltura, como também indeferiu a solicitação para que o caso fosse remetido à Justiça Federal, entendendo que não havia elementos suficientes para justificar a liberação imediata dos réus e que a questão da competência da vara precisava de análise mais aprofundada.
Investigações e repercussão nacional
O caso ganhou notoriedade nacional em agosto do ano passado, após o youtuber Felipe Bressanin Pereira, o Felca, divulgar um vídeo denunciando supostas práticas de exploração de menores ligadas ao influenciador paraibano. Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos preventivamente em São Paulo em 15 de agosto e, posteriormente, transferidos para a Paraíba, onde estão detidos desde 28 de agosto.
Atualmente, o casal cumpre a medida na Penitenciária Desembargador Flósculo da Nóbrega, em João Pessoa. Paralelamente ao processo criminal, ambos também enfrentam ações na Justiça do Trabalho por tráfico de pessoas para fins de exploração sexual e por submeter vítimas a condições análogas à escravidão.
As investigações tiveram início em dezembro de 2024, a partir de denúncias registradas no Disque 100. Na época, Hytalo Santos possuía cerca de 17 milhões de seguidores em suas redes sociais. Em sua defesa, o influenciador alegou que as atividades com os adolescentes ocorriam com o consentimento das mães e que duas das jovens envolvidas seriam emancipadas.
A primeira audiência de instrução do processo criminal ocorreu em 4 de novembro de 2025, no Fórum Criminal de Bayeux. Na ocasião, foram ouvidas testemunhas de defesa e acusação, incluindo a influenciadora Kamylinha, de 18 anos, que participou de vídeos produzidos pelo casal. Felca também prestou depoimento como testemunha de acusação em 6 de novembro.