O humorista Léo Lins, de 43 anos, celebrou nesta segunda-feira (23) uma reviravolta judicial que o absolveu de uma condenação que previa oito anos de reclusão. A decisão, anunciada em seu perfil pessoal no Instagram, anula a sentença original imposta após piadas consideradas preconceituosas em um show de comédia gravado em 2022.
Conforme apurado pela reportagem junto a fontes da Justiça Federal, o Tribunal Regional Federal (TRF) acolheu o recurso da defesa do comediante, revertendo a pena de oito anos e três meses de prisão. A condenação original referia-se a falas consideradas discriminatórias, veiculadas em um vídeo publicado no canal do humorista no YouTube.
Além da absolvição criminal, a defesa de Lins, conduzida pelo advogado Carlos Eduardo Ramos, confirmou à CNN que a Justiça também cancelou a indenização por danos morais coletivos, que somava R$ 303.600,00.
A decisão favorável a Lins foi tomada por maioria de votos. Dois magistrados votaram pela absolvição, enquanto um terceiro juiz, em voto vencido, propôs a manutenção da condenação, mas com a redução da pena para aproximadamente cinco anos em regime semiaberto e um valor de indenização menor.
Um trecho da decisão judicial aponta que a Quinta Turma deu provimento à apelação da defesa para absolver Leonardo Lins da imputação de crimes previstos em leis como a de crimes raciais e a do Estatuto da Pessoa com Deficiência, fundamentando que o fato não constitui infração penal.
Léo Lins havia sido condenado pela 3ª Vara Criminal Federal de São Paulo em maio de 2025. Na ocasião, o humorista foi sentenciado por um vídeo onde, em seu show, proferia piadas que atingiam diversos grupos, incluindo negros, idosos, obesos, pessoas com HIV, homossexuais, povos originários, nordestinos, evangélicos, judeus e pessoas com deficiência. As declarações geraram forte repercussão nacional e críticas ao artista.
Comemoração nas Redes Sociais
Em um ato que remeteu a um “chá revelação”, Léo Lins anunciou a notícia da absolvição em frente ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo. Ao compartilhar o momento nas redes sociais, o humorista declarou: “O momento exato que eu soube desta grande notícia para a liberdade de expressão no Brasil”.
Ao lado de sua empresária e de sua equipe jurídica, Lins demonstrou surpresa com o placar apertado a seu favor. Em vídeo publicado no YouTube, ele celebrou: “Nunca havia tido condenação dessa no Brasil por uma piada contada no teatro”. A publicação gerou diversas reações, com comentários de apoio de figuras como o músico Leandro Voz, o humorista Marcus Cirillo e o vereador Lucas Pavanato.