O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) iniciou um procedimento administrativo para investigar o desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). A apuração surge em decorrência de denúncias de abuso sexual contra o próprio magistrado, que foram trazidas à tona durante a edição desta segunda-feira (23) do Jornal da Band pela apresentadora Adriana Araújo.
A investigação do CNJ ganha contornos ainda mais graves em razão de uma decisão recente proferida por Láuar. Ele foi o relator da absolvição de um homem acusado de estupro de vulnerável, em um caso ocorrido em Indianópolis, no Triângulo Mineiro, que tramita sob segredo de justiça. A decisão, tomada pela 9ª Câmara Criminal Especializada do TJMG, gerou forte comoção pública ao justificar a liberação do réu – de 35 anos – sob o argumento de que existia um “vínculo afetivo consensual” com a vítima, uma menina de 12 anos, com “prévia aquiescência dos genitores” e “vivenciado aos olhos de todos”.
Sobrinho aponta tentativa de abuso e reforça indignação
Em meio à repercussão da notícia, Saulo Lawar, sobrinho do desembargador, utilizou as redes sociais para relatar ter sido vítima de uma tentativa de abuso por parte de Magid Nauef Láuar quando tinha 14 anos, conseguindo escapar. O jovem afirmou que o trauma foi reavivado com o caso da menina de 12 anos. Além dele, outra mulher se manifestou na mesma publicação, alegando ter sofrido abusos enquanto prestava serviços para a família do magistrado. O corregedor do CNJ planeja ouvir pelo menos duas pessoas no âmbito da investigação, enquanto o TJMG confirmou a abertura de um processo interno para apurar as acusações.
Adriana Araújo expressa repúdio e contextualiza o caso
Em sua fala ao vivo, Adriana Araújo manifestou veementemente sua indignação. “Na sexta-feira (20), eu disse aqui que o desembargador Magid Lawar deveria ir para o banco dos réus se novas vítimas desse estuprador surgissem. E aí, para espanto de todos nós, surgem denúncias de abuso contra o próprio magistrado. Uma denúncia espontânea que partiu do sobrinho dele e não é a única”, declarou a apresentadora, ressaltando que “a justiça não pode e dessa vez não vai ficar surda de novo, porque milhões de pessoas se indignaram”.
Um aspecto adicional que chama a atenção é o fato de Magid Nauef Láuar receber aposentadoria por invalidez permanente da Universidade Federal de Ouro Preto desde 2013, período em que continuou a exercer cargos públicos. Adriana Araújo, âncora do Jornal da Band desde junho de 2023, construiu uma carreira notória no jornalismo, com passagens pela Globo e pela Record, onde atuou por 15 anos. Sua saída da emissora paulista em 2021 foi marcada por críticas à linha editorial do canal durante a pandemia de Covid-19.