A marca de 30 anos da perda trágica dos Mamonas Assassinas, interrompida no auge do sucesso por um acidente aéreo que abalou o Brasil, traz à tona novas emoções e reflexões sobre a vida daqueles que permaneceram. Recentemente, durante a exumação dos restos mortais dos integrantes para cremação e posterior homenagem em um memorial, um detalhe surpreendente chamou a atenção: uma jaqueta, depositada no túmulo do vocalista Dinho, foi encontrada em notável estado de conservação, conforme relatou Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca Mamonas. A peça, segundo ele, estava no local desde o sepultamento.
A exumação, realizada na última segunda-feira, precede a criação de um memorial em um parque, onde as cinzas dos artistas serão dispersadas. Para assinalar a data e homenagear a trajetória meteórica do quinteto de Guarulhos, a TV Globo estreia nesta terça-feira o documentário “Mamonas, eu te ai love iú”, que narra a história dos cinco músicos. Paralelamente, o olhar se volta para os familiares e pessoas próximas, cujas vidas foram profundamente marcadas pela fatalidade.
Hildebrando Alves, pai de Dinho, aos 78 anos, reside em Guarulhos com sua esposa Célia Alves. Aposentado, ele é pai de outros dois filhos e avô de dois netos. Por muitos anos, a família manteve o acervo da banda em uma propriedade em Itaquaquecetuba, batizada de “Chácara dos Mamonas”. O local, adquirido por Dinho em 1995, pouco antes de seu falecimento aos 24 anos, foi palco de celebrações durante o período de ascensão nacional do grupo. Em 2019, Hildebrando anunciou a venda do espaço, justificando a decisão pela falta de tempo para a manutenção e pela urbanização da área circundante, informando que os objetos seriam transferidos para sua residência.
Grace Kellen, irmã de Dinho, tinha 16 anos e estava grávida quando a tragédia ocorreu. Casou-se com o então namorado e teve dois filhos. Sua primogênita, Alecssandra, que completará 30 anos em maio, recebeu o nome em homenagem ao tio, cujo nome de batismo era Alecsander Alves. Grace também é mãe de Benício, de 10 anos, e dedica-se à preservação da memória do grupo.
Valeria Zoppello, que era noiva de Dinho à época, seguiu caminhos distintos. Após atuar como atriz e pilota de automobilismo, optou por uma vida mais reservada. Aos 51 anos, reside na Serra da Cantareira, onde trabalha como fotógrafa e é proprietária de um orquidário. Ela nunca se casou nem teve filhos.
Antes de Valeria, Dinho manteve um relacionamento de pouco mais de três anos com Mirella Zacanini. Meses após a morte da banda, ela lançou o livro “Pichulinha”, aludindo ao apelido mencionado na música “Pelados em Santos”. Mirella, que é evangélica, gravou um disco gospel em 2017 e, em 2023, estreou a série infantil “Escolinha de Jesus”, na qual atua e produz.
No âmbito familiar do guitarrista Bento Hinoto, houve uma perda recente: Dona Toshiko, sua mãe, que completou 100 anos em abril do ano passado, faleceu em junho. O pai, Shizuo, já havia falecido quando o filho alcançou a fama.
Contudo, a família Hinoto revelou um novo talento artístico. Beto Hinoto, sobrinho de Bento, nascido dois anos após a tragédia, integrou em 2023 uma nova formação dos Mamonas Assassinas e interpretou o tio no filme lançado naquele ano. Filho de Maurício Hinoto, irmão de Bento e produtor inicial da banda, o jovem de 28 anos continua em turnê pelo país, celebrando o repertório do grupo.
Este mês marca dois anos da partida de Dona Nena, mãe do baterista Sérgio e do baixista Samuel Reoli. Seu Ito, pai dos músicos, segue ativo na promoção de homenagens e na salvaguarda do legado dos filhos. Em 2023, ele participou das gravações do filme sobre a banda em São Paulo e tem comparecido a tributos alusivos aos 30 anos da morte. Em 2024, foi destaque em uma reportagem tocando violão e cantando “Minha camisa vermelha”, versão de “Pelados em Santos” popularizada pela torcida do Internacional, time pelo qual Seu Ito nutre forte afeição.
Na família do tecladista Júlio Rasec, Paula Rasec desempenha um papel fundamental na manutenção da memória da banda. Ativa nas redes sociais, ela frequentemente presta homenagens ao irmão e compartilha lembranças do grupo. Paula mantém uma amizade duradoura com Grace Kellen, irmã de Dinho, fortalecendo os laços entre as famílias mesmo após três décadas da perda que uniu e marcou a todos.