Trinta anos separam o Brasil do fatídico dia em que a música perdeu cinco vozes vibrantes. A tragédia aérea que silenciou os Mamonas Assassinas no auge de sua meteórica ascensão, em 1996, ainda ecoa na memória nacional. Agora, em meio a celebrações e reflexões sobre o legado da banda, um evento recente chamou a atenção: a exumação dos restos mortais dos integrantes. A descoberta de uma jaqueta do vocalista Dinho, surpreendentemente preservada em seu túmulo, reacendeu emoções e curiosidades sobre o destino daqueles que compartilharam a vida com os ídolos.
A exumação, realizada na última segunda-feira, teve como objetivo a cremação dos corpos para que suas cinzas repousem em um memorial a ser erguido em um parque, um novo capítulo na homenagem à banda. Paralelamente, a TV Globo prepara o lançamento do documentário “Mamonas, eu te ai love iú”, que promete revisitar a trajetória dos cinco músicos de Guarulhos. Enquanto isso, o olhar se volta para os familiares, cujas vidas foram irrevogavelmente marcadas pela perda.
Hildebrando Alves, pai de Dinho, hoje aos 78 anos, reside em Guarulhos com sua esposa, Célia. Aposentado, ele é pai de outros dois filhos e avô de dois netos. Por anos, a família manteve um acervo da banda em uma chácara em Itaquaquecetuba, local que foi palco de festas durante o frenético período de sucesso do grupo. Em 2019, Hildebrando decidiu vender o espaço, alegando a falta de tempo para a manutenção e a urbanização da área circundante, e anunciou que levaria os objetos para sua residência.
Grace Kellen, irmã de Dinho, tinha apenas 16 anos e estava grávida quando a tragédia ocorreu. Casada com o então namorado, ela hoje é mãe de dois filhos: Alecssandra, que em maio completa 30 anos e recebeu o nome em homenagem ao tio, e Benício, de 10 anos. Grace dedica-se ativamente à preservação da memória dos Mamonas Assassinas.
No cenário amoroso de Dinho, duas figuras merecem destaque. Valeria Zoppello, sua noiva na época, seguiu uma trajetória multifacetada, atuando como atriz e piloto de automobilismo antes de optar por uma vida mais reservada. Aos 51 anos, ela reside na Serra da Cantareira, dedicando-se à fotografia e à administração de um orquidário, sem ter se casado ou tido filhos.
Anteriormente a Valeria, Dinho manteve um relacionamento de pouco mais de três anos com Mirella Zacanini. Meses após a morte da banda, ela lançou o livro “Pichulinha”, uma referência ao apelido citado na canção “Pelados em Santos”. Mirella, hoje evangélica, lançou um disco gospel em 2017 e, em 2023, idealizou e atuou na série infantil “Escolinha de Jesus”.
Na família do guitarrista Bento Hinoto, a centenária Dona Toshiko, mãe dele, faleceu em junho do ano passado, dois meses após completar 100 anos. O pai de Bento já havia falecido antes do auge da banda. Contudo, um novo artista emerge no clã: Beto Hinoto, sobrinho de Bento. Nascido dois anos após a tragédia, Beto integrou uma nova formação dos Mamonas Assassinas em 2023 e interpretou o tio no filme biográfico lançado no mesmo ano. Filho de Maurício Hinoto, irmão de Bento e produtor inicial da banda, o jovem de 28 anos segue em turnê pelo país, celebrando o repertório icônico do grupo.
O mês de abril marca dois anos do falecimento de Dona Nena, mãe do baterista Sérgio e do baixista Samuel Reoli. Seu Ito, pai dos músicos, permanece como o principal guardião do legado dos filhos. Em 2023, ele participou das gravações do filme sobre a banda em São Paulo e tem marcado presença em tributos que celebram os 30 anos da morte. Em 2024, foi destaque em uma reportagem tocando violão e cantando “Minha camisa vermelha”, adaptação de “Pelados em Santos” entoada pela torcida do Internacional, clube do qual é torcedor declarado.
Para o tecladista Júlio Rasec, sua irmã Paula Rasec tem sido uma figura proeminente na manutenção da história da banda. Ativa nas redes sociais, Paula frequentemente compartilha lembranças e presta homenagens ao irmão. Sua amizade com Grace Kellen, irmã de Dinho, é um testemunho da força dos laços que persistem entre as famílias, mesmo após três décadas da perda que uniu o país em luto e admiração.