Em diversas ocasiões recentes, o gramado de jogos de futebol de alto escalão na Europa foi palco de interrupções motivadas por denúncias de racismo. Essas paralisações foram resultado direto da aplicação de protocolos estabelecidos por órgãos como a UEFA e a FIFA, que visam combater e coibir atos discriminatórios em competições oficiais. O procedimento geralmente envolve a paralisação temporária do jogo, comunicados ao público presente e a subsequente abertura de investigações disciplinares.
Um dos casos mais notórios ocorreu em dezembro de 2020, durante um confronto da fase de grupos da UEFA Champions League entre Paris Saint-Germain e Istanbul Basaksehir. A partida foi suspensa ainda no primeiro tempo após a comissão técnica do clube turco acusar o quarto árbitro de ter utilizado uma expressão racista contra o assistente técnico Pierre Webó. A situação levou à retirada dos jogadores de campo e, posteriormente, a UEFA determinou que o jogo fosse reiniciado no dia seguinte com uma nova equipe de arbitragem, culminando em um processo disciplinar e ampla repercussão global.
Anteriormente, em outubro de 2019, um jogo das Eliminatórias para a UEFA Euro 2020 entre Bulgária e Inglaterra, realizado em Sófia, sofreu duas interrupções no primeiro tempo. Jogadores da seleção inglesa relataram cânticos e gestos racistas e de conotação neonazista vindos das arquibancadas. O árbitro acionou o protocolo de três etapas da UEFA, que inclui anúncios no sistema de som e a paralisação temporária. O jogo foi concluído, e a federação búlgara foi posteriormente multada e obrigada a disputar partidas com os portões fechados.
Mais recentemente, em maio de 2023, a partida entre Valencia e Real Madrid, válida pela LaLiga espanhola, foi momentaneamente interrompida no estádio Mestalla. O motivo foi a alegação de insultos racistas direcionados ao jogador Vinícius Júnior. O árbitro aplicou o protocolo antirracista, suspendendo o jogo e informando o público sobre o ocorrido. As investigações posteriores identificaram torcedores envolvidos, que responderam judicialmente, e o incidente reacendeu o debate sobre a eficácia das medidas disciplinares contra o racismo no futebol espanhol.
Os regulamentos da UEFA e da FIFA delineiam um procedimento escalonado para lidar com casos de discriminação. Inicialmente, o árbitro formaliza a interrupção. Se a conduta persistir, um anúncio público é feito solicitando o fim do comportamento. Caso a situação não se normalize, o árbitro tem a prerrogativa de paralisar o jogo novamente e, em última instância, de encerrá-lo definitivamente. Esses mecanismos têm sido aplicados em diversas competições, tanto de clubes quanto de seleções, com desdobramentos em investigações e sanções por parte das entidades responsáveis.