Três décadas se passaram desde o fatídico acidente aéreo que silenciou a ascensão meteórica dos Mamonas Assassinas, um evento que chocou o Brasil e deixou uma marca indelével em uma geração. Agora, em meio a novas homenagens e reflexões, os familiares da icônica banda enfrentam o tempo, mantendo viva a memória de seus entes queridos.
Recentemente, durante a exumação dos restos mortais dos integrantes para serem cremados e depositados em um memorial, um detalhe surpreendente emergiu: uma jaqueta, deixada no túmulo do vocalista Dinho, foi encontrada em notável estado de conservação, conforme relatado por Jorge Santana, primo de Dinho e CEO da marca Mamonas. A peça, segundo ele, permaneceu intacta desde o enterro.
A exumação marca um passo importante na criação de um parque memorial dedicado à banda. Paralelamente, a TV Globo lança amanhã o documentário “Mamonas, eu te ai love iú”, que promete revisitar a jornada dos cinco rapazes de Guarulhos. Enquanto isso, o olhar se volta para aqueles que tiveram suas vidas transformadas pela tragédia.
Hildebrando Alves, pai de Dinho, aos 78 anos, reside em Guarulhos com sua esposa Célia. Aposentado, ele é pai de mais dois filhos e avô de dois netos. Por muitos anos, a família manteve um acervo da banda em uma chácara em Itaquaquecetuba, batizada de “Chácara dos Mamonas”. O local, comprado por Dinho pouco antes de sua morte aos 24 anos, serviu como palco de celebrações durante o auge do grupo. Em 2019, Hildebrando decidiu vender o espaço, citando a falta de tempo para a manutenção e a urbanização da área circundante, anunciando que preservaria os objetos em sua residência.
Grace Kellen, irmã de Dinho, tinha 16 anos e estava grávida quando a tragédia ocorreu. Casou-se com o então namorado e hoje é mãe de dois filhos: Alecssandra, que em maio completará 30 anos e recebeu o nome em homenagem ao tio, e Benício, de 10 anos. Grace dedica-se à preservação da memória do grupo.
Valeria Zoppello, que era noiva de Dinho à época, seguiu um caminho diferente. Após incursões como atriz e piloto de automobilismo, optou por uma vida mais reservada. Aos 51 anos, dedica-se à fotografia e administra um orquidário na região da Serra da Cantareira, sem ter se casado ou tido filhos.
Mirella Zacanini, ex-namorada de Dinho por mais de três anos, lançou, meses após a morte da banda, o livro “Pichulinha”, uma referência ao apelido mencionado na música “Pelados em Santos”. Hoje evangélica, lançou um disco gospel em 2017 e, em 2023, estreou a série infantil “Escolinha de Jesus”.
Na família do guitarrista Bento Hinoto, houve uma perda recente: Dona Toshiko, sua mãe, faleceu em junho do ano passado aos 100 anos. Seu pai já havia falecido antes do sucesso da banda. No entanto, um novo talento musical surgiu com Beto Hinoto, sobrinho de Bento. Nascido dois anos após a tragédia, Beto integrou uma nova formação dos Mamonas Assassinas em 2023 e interpretou o tio no filme lançado naquele ano. Filho de Maurício Hinoto, irmão de Bento e produtor inicial da banda, o jovem de 28 anos segue em turnê pelo país celebrando o repertório do grupo.
O mês corrente marca dois anos da morte de Dona Nena, mãe dos músicos Sérgio (baterista) e Samuel (baixista). Seu Ito, pai dos irmãos, continua ativo na homenagem e preservação do legado dos filhos. Em 2023, ele participou das gravações do filme sobre a banda e tem comparecido a eventos em memória dos 30 anos da tragédia. Em 2024, foi destaque em uma reportagem tocando violão e cantando uma versão de “Pelados em Santos”, popularizada pela torcida do Internacional, clube do qual é torcedor.
Paula Rasec, irmã do tecladista Júlio Rasec, é uma figura central na manutenção da história da banda. Ativa nas redes sociais, ela frequentemente presta homenagens ao irmão e compartilha lembranças. Além disso, Paula mantém uma forte amizade com Grace Kellen, irmã de Dinho, evidenciando a união das famílias mesmo após três décadas.