O ano de 2025 consolidou a ascensão de Igor Fernandez (29), ator que brilhou em duas produções de destaque em plataformas de streaming. Em Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente (HBO), ele deu vida a um personagem lidando com o HIV em meio à crise global dos anos 80. Já em Os Donos do Jogo (Netflix), com nova temporada confirmada, interpretou Sombra, figura enigmática do submundo do crime que conquistou o público, especialmente em sua relação com Esqueleto, personagem de Ruan Aguiar (26).
Em entrevista exclusiva à Revista CARAS, Fernandez refletiu sobre sua jornada, ressaltando a importância da arte como motor de transformação social. Natural de Cataguases (MG), cidade com um rico histórico cultural, o ator atribui à sua origem o despertar artístico. “Costumo brincar que Cataguases tem o maior número de artistas por metro quadrado”, comenta. A oportunidade de participar de um programa de teatro gratuito na infância foi um divisor de águas para o jovem, vindo de uma família de poucos recursos.
“Desde adolescente, já queria criar, dirigir filmes e reunir amigos para atuar nas peças que eu escrevia”, relembra. Para custear seus projetos e cursos, Fernandez chegou a atuar como ajudante de pedreiro. “Lembro de estar peneirando areia no trabalho enquanto minha cabeça voava nos roteiros que eu escrevia. Chegava tão cansado que só queria dormir. Mas eu nunca reclamo. Tudo isso foi muito necessário para que eu chegasse aonde estou hoje”, afirma, com gratidão.
Ao abordar seu papel em Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente, o ator destacou a necessidade de combater o estigma em torno do HIV. “Sabe a principal diferença entre o diabetes e o HIV? O preconceito”, questiona, enfatizando que a desinformação perpetua o sofrimento. “Só o combate à desinformação e ao preconceito vão levar as pessoas a olhar cada vez mais com carinho para o assunto.”
Sobre Os Donos do Jogo, ele descreveu a experiência como intensa. “Desde o primeiro ensaio, todo mundo estava tão a fim de contar essa história que a energia não caiu até o último dia de gravação”, relata. A entrega total ao personagem Sombra, segundo Fernandez, certamente deixará marcas em seus futuros trabalhos.
Ao olhar para trás e vislumbrar suas conquistas, a sensação é de encantamento. “Ainda sinto que estou brincando, acredita?”, confessa. Ele compara a emoção de ver seus trabalhos no ar à de quando era criança, encenando no quintal de casa. “Claro que, com o tempo e o alcance do trabalho, a brincadeira ficou séria, tanto na responsabilidade profissional quanto na importância da minha posição social e política como artista. Mas nunca deixou de ser uma deliciosa brincadeira.”
Para o futuro, o ator almeja, acima de tudo, a felicidade. “Nunca teve nada mais importante para mim do que a sensação de paz no coração, independentemente de onde eu esteja”, declara. Ele deseja continuar interpretando personagens que representem vidas importantes e, quem sabe, atuar em outras línguas, ampliando seu alcance e explorando novas culturas. “Mas, no fim, tudo o que eu disse se resume em ser feliz. Pode soar simples, mas para mim é tanto o ponto de partida quanto a linha de chegada.”