Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, contraventor preso nesta quinta-feira (26) em Cabo Frio por uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO/RJ), já havia sido centro de uma polêmica em maio de 2021. Na ocasião, em pleno agravamento da pandemia de Covid-19, ele celebrou seu aniversário de 51 anos com uma festa suntuosa no Copacabana Palace.
O evento reuniu cerca de 500 convidados, entre familiares, amigos e personalidades, que compareceram ao luxuoso hotel em trajes de gala. Para animar a celebração, Adilsinho contratou apresentações de artistas renomados como Gusttavo Lima, Ludmilla, Alexandre Pires e Dudu Nobre.
A aglomeração, em um período de restrições sanitárias severas, gerou forte repercussão nas redes sociais. Na época, a assessoria de Gusttavo Lima emitiu nota defendendo que a festa seguiu as normas de segurança vigentes no Rio de Janeiro, com todos os protocolos seguidos e testes de Covid-19 realizados nos presentes. A defesa alegava que o evento utilizou apenas 40% da capacidade do local.
Contudo, imagens divulgadas na época retratavam convidados em aglomeração, sem o uso de máscaras, dançando e confraternizando livremente.
O convite: uma alusão à máfia
Os convites para a festa foram enviados em formato de vídeo, com uma trilha sonora inspirada na icônica trilogia “O Poderoso Chefão”, que narra a saga da família mafiosa Corleone. Para a comemoração, Adilsinho teria reservado todos os salões do hotel e o custo estimado da extravagância ultrapassaria os R$ 4 milhões.
Adilsinho foi capturado em uma residência em Cabo Frio, em uma ação que contou com o suporte do Serviço Aeropolicial. Ele é investigado por uma série de crimes em diversas unidades da federação e estava foragido. Sua atuação abrange a exploração do mercado ilegal de cigarros em pelo menos seis estados, além de envolvimento com bingos e cassinos em outras regiões do país, incluindo o Nordeste.
Com um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça Federal, Adilsinho era apontado como mandante de homicídios, figurando na lista de procurados pela Justiça. Havia cinco ordens de prisão preventiva contra ele: quatro por homicídio e uma por organização criminosa. As investigações apontam que ele seria o mandante do assassinato de Fabrício Alves Martins de Oliveira, um indivíduo ligado à máfia do cigarro no Rio.
Considerado um dos principais nomes do jogo do bicho no Rio de Janeiro, Adilsinho é também reconhecido como o maior produtor e distribuidor de cigarros falsificados no estado. Durante a operação que resultou em sua prisão, o policial militar Diego Darribada Rebello de Lima também foi detido.