A percepção de que o valor da aposentadoria concedida pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é imutável após a concessão pode não corresponder à realidade. Existem, de fato, mecanismos legais que permitem aos segurados buscar um incremento no benefício mensal. Para 2026, três estratégias reconhecidas pela legislação previdenciária oferecem a possibilidade de otimizar os rendimentos, com destaque para um adicional que pode chegar a 25%.
Uma das formas mais significativas de aumentar o valor da aposentadoria é o acréscimo de 25% destinado a beneficiários que necessitam de assistência permanente de terceiros. Previsto na Lei nº 8.213/91, este adicional aplica-se à aposentadoria por incapacidade permanente (antiga aposentadoria por invalidez) quando o segurado comprova, mediante perícia médica, a dependência de um cuidador para suas atividades diárias. É importante notar que este acréscimo é possível mesmo para quem já recebe o teto do benefício e é específico para a modalidade de aposentadoria por incapacidade permanente, conforme entendimento consolidado.
Outra via para o aumento do benefício é a revisão da aposentadoria em casos de erros de cálculo. O valor do benefício é calculado com base nas contribuições previdenciárias registradas no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Se houver omissão de salários, falhas na consideração da média salarial ou não reconhecimento de períodos trabalhados, o segurado pode solicitar uma revisão, seja na esfera administrativa ou judicial. Essa correção pode resultar em um aumento mensal e, em alguns casos, em pagamentos retroativos.
A terceira estratégia envolve a inclusão de tempo especial ou a conversão de tempo de atividade insalubre. Trabalhadores que atuaram expostos a agentes nocivos à saúde ou em condições perigosas podem ter direito a converter esse tempo especial em tempo comum. Essa conversão pode impactar positivamente o cálculo do benefício, seja melhorando o coeficiente, elevando a média salarial ou, consequentemente, o valor final da aposentadoria. A comprovação dessas condições é realizada por meio do Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e laudos técnicos.
Além dessas possibilidades de revisão e adicionais, é fundamental lembrar que os benefícios do INSS são reajustados anualmente. Em 2026, o salário mínimo para aposentados e pensionistas que recebem o piso nacional foi estabelecido em R$ 1.621,00, representando um aumento de 6,79% em relação a 2025. Para aqueles que recebem valores acima do salário mínimo, o reajuste é baseado no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado do ano anterior, com o teto do INSS atingindo R$ 8.475,55 em 2026, um aumento de 3,9%.