Um dos nomes mais icônicos da teledramaturgia brasileira, Antonio Fagundes, está de volta ao elenco da Rede Globo. Sua participação na próxima novela das nove, intitulada ‘Quem Ama, Cuida’, sinaliza não apenas um retorno à emissora após cinco anos, mas também uma redefinição nas estratégias de contratação e valorização de talentos veteranos em um cenário de transformações no mercado audiovisual.
Em declarações à Folha de S.Paulo, Fagundes analisou a reestruturação pela qual a televisão aberta tem passado. “Eu acho que a TV aberta passou por uma reformulação. Eles tiveram que reestruturar administrativamente e agora estão recomeçando”, observou o ator. Ele reconheceu que o período longe da emissora permitiu a exploração de outras plataformas, como serviços de streaming, a TV Cultura e o cinema, mas fez questão de sublinhar a relevância da Globo na produção de conteúdo nacional. “A vida não parou por ter saído da Globo. Mas, ao mesmo tempo, é uma grande emissora e, na TV aberta, é a maior produtora”, ressaltou.
A volta de Fagundes à emissora foi viabilizada por meio de acordos que permitem a conciliação de sua agenda televisiva com compromissos teatrais. Essa flexibilidade também possibilitará ao artista a gravação de um novo longa-metragem e a negociação de direitos de licenciamento para o filme ‘Contra a Parede’, de sua autoria e produção, lançado em 2018.
Na trama de ‘Quem Ama, Cuida’, Fagundes dará vida a Artur, um milionário cuja decisão de deixar sua fortuna para a fisioterapeuta Adriana (Letícia Colin) e se casar com ela movimenta a narrativa. O misterioso assassinato de Artur, posteriormente, leva à prisão injusta de Adriana, que então inicia uma batalha para provar sua inocência, contando com o apoio de Pedro (Chay Suede), um advogado idealista.
O retorno à Globo também representa reencontros profissionais significativos para o ator. Fagundes expressou satisfação em trabalhar novamente com Walcyr Carrasco, autor de ‘Quem Ama, Cuida’, com quem já obteve êxito em ‘Amor à Vida’ (2013). Na ocasião, seu personagem, o médico César Khoury, teve seu destino alterado de uma morte prevista para o capítulo 40 até o final da novela. “Nós tivemos uma experiência muito boa em ‘Amor à Vida’ […] com um personagem que ele foi desenvolvendo ao longo da trama. O personagem era para morrer no capítulo 40, e eu acabei ficando até o fim, o que resultou em um dos finais mais bonitos de novela da Globo”, relembrou. Ele também mencionou com carinho o reencontro com a diretora Amora Mautner, a quem conhece desde o início de sua carreira. “Vai ser um reencontro gostoso. Tenho 44 anos no grupo, estou sempre com um pedacinho do coração lá”, declarou.
Sobre a gestão de sua carreira entre a televisão e o teatro, Fagundes explicou que sempre manteve essa dinâmica. “Isso sempre foi um acordo meu com a Globo. Desde que comecei a fazer novela, nunca parei de fazer teatro. Embora eu goste muito de TV, e tive a sorte de fazer grandes personagens, eu não queria parar de fazer teatro. O teatro é a pátria do ator, é lá que ele se desenvolve”, pontuou.
Com previsão de estreia em maio, substituindo ‘Três Graças’ no horário nobre, ‘Quem Ama, Cuida’ reforça a busca da Globo por novas modalidades de relacionamento com seus artistas consagrados e antecipa uma fase de renovação para as produções de dramaturgia da emissora.