Com o objetivo de reforçar a segurança alimentar em lares brasileiros, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou um guia prático com orientações detalhadas para que os consumidores possam identificar e evitar alimentos contaminados por microrganismos prejudiciais à saúde, como fungos e bactérias. A iniciativa visa reduzir os riscos de intoxicações e doenças transmitidas por alimentos (DTAs) no cotidiano.
O guia abrange desde a etapa da compra até o preparo e armazenamento dos alimentos em casa, destacando que falhas em cuidados básicos podem aumentar significativamente o perigo. A Anvisa enfatiza que a atenção deve começar no ponto de venda, com a observação atenta de embalagens, datas de validade e a integridade dos produtos, bem como as condições de refrigeração e exposição no estabelecimento.
A contaminação, segundo a agência, pode ocorrer por diversos fatores, incluindo contato com superfícies sujas, água inadequada ou mesmo em ambientes domésticos durante o preparo ou transporte dos alimentos. Fungos e bactérias proliferam rapidamente em condições de umidade e calor, tornando a higiene um pilar fundamental na prevenção. A Anvisa ressalta que o risco de intoxicações alimentares tende a aumentar em períodos mais quentes, especialmente quando há uma diminuição na rigidez dos cuidados preventivos.
Para frutas, legumes e verduras, a recomendação é um processo de lavagem em duas etapas: primeiramente, a lavagem em água corrente para remover impurezas visíveis, seguida pela imersão em solução sanitizante apropriada para eliminar microrganismos invisíveis. É crucial que tais soluções sejam específicas para uso alimentar, e não produtos de limpeza comuns. A secagem, por sua vez, deve ser feita em recipientes limpos, evitando o uso de panos que possam comprometer a higiene.
No que diz respeito a carnes e ovos, a Anvisa reforça a necessidade de cuidados redobrados. Carnes cruas não devem ser lavadas, pois a água pode espalhar bactérias pela cozinha. O cozimento adequado é o método mais eficaz para eliminar patógenos. Ovos, por sua vez, exigem preparo completo para mitigar o risco de contaminação pela bactéria Salmonella, que pode causar sintomas graves como diarreia, febre e vômitos, com riscos ampliados para crianças e idosos.
A agência também alerta para o perigo da contaminação cruzada, que ocorre quando bactérias de alimentos crus são transferidas para alimentos prontos para consumo, muitas vezes através de utensílios e superfícies. A recomendação é clara: separar alimentos crus e cozidos durante o preparo, utilizar tábuas de corte distintas para carnes e vegetais, e higienizar mãos e utensílios rigorosamente após cada manipulação.
O descongelamento inadequado é outro ponto crítico destacado. A Anvisa orienta que alimentos congelados devem ser descongelados preferencialmente na geladeira, mantendo a temperatura abaixo de 5°C para inibir o crescimento bacteriano, ou diretamente no micro-ondas. Cozinhar alimentos ainda congelados também é uma alternativa segura. O recongelamento de alimentos crus não é aconselhável.
A higiene da cozinha, incluindo a troca diária de panos de prato e a limpeza frequente de superfícies como bancadas e pias, é fundamental para prevenir a proliferação de bactérias. A Anvisa sugere o uso de panos específicos para diferentes tarefas (mãos, superfícies) e, sempre que possível, a utilização de papel toalha descartável para minimizar riscos.
Em suma, a Anvisa reforça que a segurança alimentar é um processo contínuo que exige atenção desde a escolha do produto no mercado até o seu consumo final. A leitura atenta dos rótulos, o descarte de produtos vencidos e o armazenamento correto são práticas essenciais para garantir alimentos mais seguros e proteger a saúde de toda a família.