O nome Helena tornou-se sinônimo de Manoel Carlos na televisão brasileira. O saudoso autor, conhecido por suas narrativas que espelhavam a alma carioca, imortalizou a figura feminina em suas protagonistas, cada uma com suas nuances, dramas e a força que o autor admirava na mitologia grega. Helena, para Maneco, representava a mulher guerreira, capaz de sacrifícios em nome do amor, mas também falha, vaidosa e, por vezes, protetora a ponto de distorcer a verdade em benefício dos seus.
“Elas são aquelas mães abnegadas e, ao mesmo tempo, não se esquecem delas mesmas. São vaidosas, são justas e injustas na medida certa”, descreveu o autor em entrevista ao Fantástico em 2014, ressaltando a complexidade de suas personagens e a identificação que elas provocavam no público.
Relembre as Atrizes que Deram Vida às Icônicas Helenas
Lílian Lemmertz foi a pioneira, dando vida à primeira Helena em Baila Comigo (1981). Sua personagem enfrentou a dura realidade de ter que abandonar um dos filhos, Quinzinho e João Victor (Tony Ramos), em virtude de sua origem humilde.
Em Felicidade (1991), Maitê Proença encarnou uma Helena moderna e independente, que vivia na fictícia Vila Feliz. A trama explorou os dilemas de uma gravidez inesperada com Álvaro (Tony Ramos) e os conflitos gerados por Débora (Vivianne Pasmanter).
Regina Duarte brilhou em duas ocasiões. Em História de Amor (1995), interpretou uma mulher dividida por um triângulo amoroso, mãe solteira de Joyce (Carla Marins) e apaixonada pelo médico Carlos (José Mayer), enfrentando a rivalidade de Paula (Carolina Ferraz) e Sheila (Lilia Cabral). Já em Por Amor (1997), viveu um dos papéis mais emblemáticos, uma Helena que, em um ato de desespero para salvar a filha Eduarda (Gabriela Duarte) após uma perda gestacional, troca os bebês, um dos desfechos mais memoráveis da teledramaturgia.
Vera Fischer deu vida a Helena em Laços de Família (2000), uma mãe disposta a tudo para salvar a filha Camila (Carolina Dieckmmann) da leucemia. Em um ato de amor extremo, ela decide engravidar de Pedro (José Mayer), pai biológico da jovem, na esperança de ser compatível para o transplante.
A saga das Helenas continuou com Christiane Torloni em Mulheres Apaixonadas (2003). Sua personagem buscava uma redefinição pessoal após 15 anos de casamento com Téo (Tony Ramos), saindo de uma crise para redescobrir seus próprios desejos e viver um novo amor.
Em sua terceira interpretação do papel, Regina Duarte, em Páginas da Vida (2006), viveu uma médica que encontra na maternidade uma nova razão para viver ao adotar Clara, uma criança com síndrome de Down rejeitada pela avó, Marta (Lilia Cabral), enfrentando preconceitos e dilemas familiares.
Taís Araújo marcou história como a primeira Helena negra e mais jovem em Viver a Vida (2009). A top model internacional vivia uma vida focada na carreira até se envolver com Marcos (José Mayer) e Bruno (Thiago Lacerda), explorando um romance repleto de desafios.
A última Helena a pisar nas novelas de Manoel Carlos foi interpretada por Julia Lemmertz em Em Família (2014). Filha de Lílian Lemmertz, a personagem, uma leiloeira de personalidade forte, se vê em meio a um conflito familiar ao testemunhar o amor de sua filha, Luiza (Bruna Marquezine), pelo flautista Laerte (Gabriel Braga Nunes).