O Carnaval de Olinda, em Pernambuco, já se prepara para receber uma constelação de estrelas, tanto nacionais quanto internacionais, que desfilarão em versões monumentais. O tradicional cortejo dos Bonecos Gigantes apresentará, em 2026, representações de nomes como Bruno Mars, Lady Gaga, João Gomes, Wagner Moura e até mesmo uma figura papal imaginária, o Papa Leão XIV, todos observando a folia do alto.
Com quase nove décadas de história, os gigantes de Olinda se tornaram um ícone da festa pernambucana, celebrando personalidades de diversas áreas, da arte ao esporte e à política. No entanto, os meandros por trás da criação dessas impressionantes figuras raramente vêm à tona. Em conversa exclusiva, Leandro Castro, empresário e produtor cultural à frente da Embaixada dos Bonecos Gigantes de Olinda – instituição fundada em 2008 –, revelou os segredos desse processo.
A seleção dos homenageados, conforme explica Castro, prioriza indivíduos com trajetórias marcantes no cenário cultural e artístico. Contudo, a criatividade olindense não se limita a isso, permitindo a união de figuras improváveis. Um exemplo notório foi a antecipação de um “encontro” entre Donald Trump e Kim Jong-un, antes mesmo da aproximação diplomática entre os líderes, que gerou considerável repercussão midiática.
Personalidades associadas a eventos de grande alcance, como o esporte, também ganham seu espaço. Galvão Bueno, por exemplo, é eternizado em forma de boneco gigante desde a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul. “Acredito que essa combinação de sensibilidade com a percepção do cotidiano popular é o que atrai tanta atenção ao nosso trabalho”, avalia Castro.
A confecção dos bonecos é um processo intensamente artesanal. A modelagem inicial é feita em argila, permitindo a expressividade facial detalhada. A partir daí, cria-se um molde, que serve de base para a estrutura em fibra de vidro. Segue-se um minucioso trabalho de acabamento, pintura, adição de cabelos e, por fim, a vestimenta.
Em média, a produção de um boneco leva cerca de 40 dias. No entanto, o processo pode ser dramaticamente acelerado, como no caso dos gols de Richarlison na Copa do Catar em 2022, que resultaram em um boneco do jogador em apenas três dias. Castro faz questão de ressaltar que toda a operação é realizada com recursos próprios, sem financiamento público. “Somos uma instituição privada. Os desfiles são custeados por nós, e pagamos impostos como qualquer outra empresa”, afirma.
Além do desfile gratuito, a Embaixada dos Bonecos Gigantes de Olinda mantém um espaço cultural vital para a sustentabilidade do projeto. Dois museus localizados no Recife Antigo recebem, em média, 300 turistas diariamente. Os ingressos custam R$ 35 para um museu e R$ 50 para o tour completo.
“Há uma engrenagem que faz tudo acontecer”, conclui Leandro Castro, reforçando a simbiose entre as manifestações culturais e o fomento ao turismo: “Cultura fomenta turismo, e turismo fomenta cultura.”