Em uma noite de reconhecimento global para a música brasileira, os icônicos irmãos Caetano Veloso e Maria Bethânia foram agraciados com o Grammy de Melhor Álbum de Música Global no Grammy Awards 2026, realizado neste domingo (1º). A distinção celebra o aclamado projeto “Caetano e Bethânia Ao Vivo”, um marco que reflete a longa e influente trajetória de ambos na Música Popular Brasileira (MPB).
O álbum, resultado da turnê conjunta que reuniu os Velosos em palcos de diversas capitais brasileiras entre 2024 e 2025, foi reconhecido pela Academia de Gravação dos Estados Unidos como o melhor trabalho global do ano. A obra superou uma forte concorrência internacional, que incluía artistas renomados de gêneros como afro-fusion, jazz global e world music.
A notícia da vitória gerou uma onda de entusiasmo nas redes sociais. Em um momento de celebração descontraída, Caetano ligou para Maria Bethânia para anunciar a conquista: “Ganhamos o Grammy”, disse ele. A cantora, surpresa, respondeu com bom humor, questionando se a premiação já havia ocorrido e confessando não saber o horário. A repercussão da vitória colocou o feito entre os assuntos mais comentados online, com internautas expressando orgulho e felicidade pela conquista brasileira.
Esta premiação é particularmente histórica para Maria Bethânia, que se torna a primeira cantora de MPB a alcançar um Grammy. A conquista de ambos os artistas é vista como um importante impulso para a música brasileira no cenário internacional.
Um Retorno Triunfal e um Legado Celebrado
Lançado pela Sony Music Brasil em 26 de maio de 2025, o álbum “Caetano e Bethânia Ao Vivo” consolida o retorno dos irmãos aos palcos após 47 anos, marcando o fim de um longo hiato desde o último show conjunto dos filhos de Dona Canô. A turnê que originou o disco percorreu importantes cidades brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Recife, Fortaleza e Curitiba.
Um Repertório Atemporal e Significativo
Com 33 faixas, o álbum vai além da celebração do reencontro dos irmãos. Ele é um mergulho profundo em décadas de história e cultura da música brasileira. A abertura com “Alegria, Alegria”, um dos marcos da década de 60 e símbolo da resistência cultural durante o regime militar, contextualiza a importância histórica do projeto. O disco também resgata outros sucessos da época, como “Tropicália” e “Marginália II”, esta última composta por Caetano Veloso em parceria com Gilberto Gil.
Grandes interpretações de Maria Bethânia também marcam presença, incluindo “Carcará”, uma composição de João do Valle que se tornou emblemática na voz da cantora desde sua estreia no show Opinião, em 1965.
Conexão com a Nova Geração e Pequenas Correções Históricas
Demonstrando uma ponte entre gerações, a dupla incluiu em seu repertório músicas de artistas contemporâneos, como “Fé”, de IZA. Essa inclusão reforça a conexão da obra com a atualidade e o diálogo com a nova música brasileira. Durante a turnê, IZA chegou a se emocionar ao assistir a uma apresentação dos irmãos em 2024, na Farmasi Arena, no Rio de Janeiro, ao lado de Milton Nascimento.
Um detalhe notável no álbum é a correção de um erro de grafia na música “Os mais doces dos bárbaros”. Por anos, a gravadora registrou o título incorretamente como “Os mais doces bárbaros” desde 1976. Caetano Veloso, que vinha reclamando da falha, viu o erro ser corrigido nesta nova edição. A canção faz parte de um grupo formado na década de 70 por Caetano, Gal Costa, Gilberto Gil e Maria Bethânia.