A notícia do falecimento da atriz Titina Medeiros, conhecida por seus papéis em novelas da Globo como ‘Cheias de Charme’ e ‘No Rancho Fundo’, no último domingo (11) em Natal, reacendeu o debate sobre o câncer de pâncreas. A artista sucumbiu a complicações decorrentes da doença. Diante deste cenário, o oncologista Dr. Jorge Abissamra Filho concedeu entrevista à CARAS Brasil para detalhar as particularidades deste diagnóstico desafiador.
O marido da atriz, César Ferrario, compartilhou a decisão de Titina Medeiros em manter o tratamento em sigilo, buscando preservar sua privacidade. Segundo ele, os últimos momentos da atriz foram marcados por afeto e acolhimento familiar e de amigos próximos. “Ela resolveu viver todo o processo de forma resguardada, protegida, compartilhando com amigos próximos e familiares. Muito acolhida e muito amada. Apesar das dificuldades, os últimos instantes de Titina foram de amor, afeto manifestado por todos. De abraços e declarações constantes de carinho”, relatou Ferrario em entrevista à rádio 98 FM Natal.
O Que é o Câncer de Pâncreas?
Dr. Jorge Abissamra Filho, especialista em Oncologia Clínica, explicou que o câncer de pâncreas surge quando as células deste órgão, responsável pela produção de hormônios como a insulina e enzimas digestivas, começam a se multiplicar de forma desordenada, formando tumores. O tipo mais comum é o adenocarcinoma, que se origina nos dutos pancreáticos.
Sintomas Tardios e Confusos
Um dos principais obstáculos no combate ao câncer de pâncreas é a manifestação tardia dos sintomas, que muitas vezes são confundidos com problemas digestivos comuns. Entre os sinais de alerta, destacam-se:
- Dor abdominal ou nas costas;
- Perda de peso inexplicada;
- Falta de apetite;
- Icterícia (amarelamento da pele e olhos);
- Urina escura e fezes claras;
- Náuseas;
- Fadiga e fraqueza.
“Justamente por serem sintomas inespecíficos, muitas vezes eles são confundidos com problemas digestivos comuns”, ressaltou o oncologista.
Incidência e Mortalidade
Embora não esteja entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, ocupando a 14ª posição segundo o INCA (Instituto Nacional de Câncer), o câncer de pâncreas figura entre as principais causas de morte por neoplasia. “Não é dos mais frequentes, mas é um dos mais letais. Representa cerca de 3% dos cânceres. Está entre as principais causas de morte por câncer. A incidência vem aumentando com o envelhecimento da população, ou seja: não é comum, mas é muito relevante em termos de impacto”, pontuou Dr. Abissamra Filho.
Opções de Tratamento
O tratamento para o câncer de pâncreas é sempre individualizado e deve ser conduzido por uma equipe médica especializada, variando conforme o estágio da doença e as condições do paciente. As abordagens terapêuticas incluem:
- Cirurgia: Indicada apenas quando o tumor está localizado e em poucos casos.
- Quimioterapia: Pode ser utilizada antes ou depois da cirurgia, ou como tratamento principal.
- Radioterapia: Em algumas situações clínicas.
- Terapias Modernas: Como terapias-alvo e imunoterapia, reservadas para casos específicos.
Um “Inimigo Silencioso”
O oncologista descreveu o câncer de pâncreas como um dos mais agressivos devido à sua rápida progressão, à ausência de sinais precoces e à menor resposta aos tratamentos convencionais quando comparado a outros tipos de câncer. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental para um prognóstico mais favorável. “O câncer de pâncreas é considerado um dos mais agressivos, por vários motivos: Cresce e se espalha rapidamente, dá poucos sinais no início, muitas vezes é diagnosticado tardiamente, responde menos aos tratamentos tradicionais do que outros cânceres; Por isso, o diagnóstico precoce, quando possível, faz enorme diferença no prognóstico”, explicou.
Apesar do cenário desafiador, Dr. Jorge Abissamra Filho destacou os avanços da medicina no tratamento oncológico. “O câncer de pâncreas é uma doença desafiadora, mas a medicina tem avançado muito. Quanto mais cedo for diagnosticado e tratado, maiores são as chances de controle e sobrevida”, concluiu, referindo-se à importância da conscientização sobre a doença, como no caso da atriz Titina Medeiros.