A relação entre o esporte e a política é um debate recorrente, com opiniões divididas entre a separação total e a interconexão intrínseca. No contexto da Copa do Mundo de 2026, que terá os Estados Unidos como um dos países anfitriões ao lado de Canadá e México, as complexidades políticas ganham destaque e acendem um alerta.
As implicações políticas no futebol não são novidade, como evidenciado pela exclusão da Rússia das eliminatórias e da Copa do Mundo de 2022. Essa punição conjunta da FIFA e da UEFA ocorreu em resposta à invasão da Ucrânia pelo país, uma medida que permanece em vigor.
A proximidade entre o esporte e as questões de Estado se manifesta de diversas formas. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, esteve envolvido em discussões com o presidente da FIFA, Gianni Infantino, em eventos que sublinham essa intersecção. A presença de figuras políticas em eventos esportivos de grande magnitude, como a Copa, frequentemente levanta questionamentos sobre a influência e o papel do esporte em cenários internacionais.
Para além de decisões de órgãos esportivos, as políticas internas dos países anfitriões também geram preocupações. Os Estados Unidos, sob a administração Trump, implementaram políticas de imigração restritivas, incluindo a proibição de entrada de cidadãos de diversos países e o congelamento da emissão de vistos para várias nações, afetando inclusive países participantes da Copa. Essas ações geraram repercussão e levantaram discussões sobre a possibilidade de boicotes por parte de algumas seleções.
A Holanda, por meio de seu presidente da federação de futebol, Frank Paauw, e a Alemanha, com o vice-presidente da federação, Oke Göttlich, expressaram críticas às políticas de Trump e consideraram a ideia de não participar do torneio, argumentando que a Copa poderia ser instrumentalizada como plataforma de propaganda política. Deputados de outros países, como a Dinamarca e o Reino Unido, também manifestaram preocupações, sugerindo que a realização do evento nos EUA pode gerar situações embaraçosas para o presidente norte-americano.
O jornal britânico The Guardian reportou que representantes de 20 seleções europeias já teriam discutido as ações do presidente dos EUA. O ex-presidente da FIFA, Joseph Blatter, chegou a aconselhar que se evite os Estados Unidos, endossando questionamentos sobre a realização da Copa no país.
O cenário para a Copa do Mundo de 2026 se diferencia de episódios anteriores, como o caso da Rússia, onde a sanção afetaria uma única seleção. Desta vez, os Estados Unidos são um dos países anfitriões, o que significa que qualquer medida punitiva teria um impacto significativamente maior na organização e no desenrolar do torneio. Onze cidades americanas, além de três no México e duas no Canadá, sediarão os jogos, com o Brasil programado para disputar seus jogos da fase de grupos na costa leste dos Estados Unidos.