A saída de Ana Paula Renault do Big Brother Brasil 16, há uma década, se consolidou como um divisor de águas na história do reality show, em grande parte pela forma como a emissora, sob o comando do então apresentador Pedro Bial, conduziu o adeus da participante. Desclassificada após agredir o colega de confinamento Renan durante uma festa, a jornalista mineira recebeu um tratamento singular, distanciando-se do protocolo usual da Globo para expulsões.
Tradicionalmente, o encerramento da participação de um brother por quebra de regras de conduta envolve uma saída discreta, sem espaço para homenagens ou destaque na programação. Contudo, a eliminação de Ana Paula representou uma notável exceção. Em vez de um silêncio televisivo, a produção dedicou a ela um discurso de aproximadamente quatro minutos, exibido em rede nacional, transformando um momento de punição em um evento televisivo memorável. Essa abordagem diferenciada ganha nova relevância em 2026, com o retorno da ex-participante à disputa pelo prêmio de R$ 5,44 milhões.
A política da TV Globo para casos de agressão física dentro do programa é geralmente inflexível, acarretando rescisão de contrato, não pagamento de cachê e ausência de despedidas televisionadas. A expulsão de Ana Paula, no entanto, quebrou esse padrão.
Surpreendendo a própria ex-sister, que acompanhava a transmissão de casa apreensiva e expressava suas angústias nas redes sociais com a pergunta “Gente, estou tensa. Será que eles vão acabar com a minha raça no programa?”, Pedro Bial optou por um monólogo que fugiu do tom de condenação. O apresentador analisou a complexidade da personalidade de Ana Paula e seu impacto no jogo, fugindo da objetividade punitiva.
Ao ouvir o discurso, Ana Paula demonstrou profunda emoção. “Eu estou mega emocionada”, declarou na ocasião, visivelmente comovida.
Bial explorou as dualidades da participante, afirmando: “O BBB não é necessariamente vitrine de virtudes nem de vícios. Tantas vezes desrespeitosa e desequilibrada, Ana Paula não é um exemplo, mas merece toda a compaixão e nos inspira a reflexão”. Ele ressaltou ainda a importância de sua presença para a dinâmica da casa, pontuando que ela “engrandeceu o jogo ao relativizar falsos bem mal absolutos”.
A narrativa construída pelo apresentador abordou a busca por extremos de Ana Paula no confinamento e sua consequente aceitação pelo público. Bial a descreveu como uma figura que não temeu assumir o papel de antagonista, destacando: “Você que não teve medo de ser odiada como vilã e foi amada como anti-heroína”. O discurso se encerrou com uma reflexão sobre o aprendizado proporcionado pela experiência, sugerindo que o programa entregou o que ela buscava: “Esse é o rumo que você buscava aqui, e o ‘BBB’ deu pra você. Limite. Uma forma muito generosa de amar”, concluiu Bial, fechando poeticamente sua participação na temporada de 2016.
Após o incidente, Ana Paula Renault reconheceu publicamente seu erro. Dez anos depois, sua volta ao Big Brother Brasil 26 marca uma nova oportunidade de reescrever sua trajetória no reality. Sua primeira passagem, apesar do desfecho abrupto, garantiu-lhe um lugar na memória afetiva do público e a inédita oportunidade de um café da manhã com Ana Maria Braga no dia seguinte à sua expulsão, consolidando-se como uma das figuras mais marcantes da atração, capaz de moldar até mesmo as regras de apresentação do programa.