O cenário artístico brasileiro amanheceu mais sombrio neste sábado (21), com a notícia do falecimento do renomado ator Juca de Oliveira, aos 91 anos. O artista, que lutava contra uma pneumonia e problemas cardíacos, estava internado no Hospital Sírio-Libanês desde o dia 13 de março. Sua partida lamentada por colegas e admiradores, evoca a memória de uma trajetória marcada pela excelência no teatro, na televisão e no cinema.
Considerado um pilar da dramaturgia nacional, Juca de Oliveira construiu uma carreira sólida e diversificada, sendo reverenciado por sua versatilidade e profundidade em cada papel. A comoção gerada por sua morte se manifestou intensamente nas redes sociais, onde diversas personalidades do meio artístico prestaram suas últimas homenagens.
A apresentadora Adriane Galisteu compartilhou um álbum de fotos com o ator, destacando o privilégio de ter convivido e aprendido com sua genialidade. Em suas palavras, Juca representava um elo raro entre grandes nomes da cena, um “último dos moicanos” de uma geração que ensinou elegância, inteligência e paixão pela arte. “Hoje o palco brasileiro silencia diferente. Mas a resenha no céu segue brilhando! Obrigada por tanto”, escreveu Galisteu.
O ator Ary Fontoura, colega de longa data, expressou sua tristeza: “Juca de Oliveira se foi… e levou com ele um pedaço do nosso palco, da nossa história, do nosso coração. Obrigado por tudo. Que a eternidade te receba com aplausos.” A atriz Debora Bloch, que contracenou com Juca em “As Pupilas do Senhor Reitor”, relembrou com carinho a parceria: “Juca foi um gigante do teatro, um ator maravilhoso, um parceiro generoso, divertido e apaixonado pelo seu ofício. Eu amei trabalhar e conviver com ele. Te amo pra sempre Juca”.
Nascido em São Roque, interior de São Paulo, em 16 de março de 1935, Juca de Oliveira trilhou um caminho notável. Formado em Direito pela USP, descobriu sua vocação para a atuação na Escola de Arte Dramática de São Paulo. Sua carreira teatral incluiu peças de grande relevância como “O Semente”, “O Pagador de Promessas” e “A Morte do Caixeiro Viajante”.
Durante a Ditadura Militar, Juca de Oliveira, conhecido por suas convicções políticas de esquerda, precisou se exilar na Bolívia. Ao retornar ao Brasil, consolidou sua presença na extinta TV Tupi e, posteriormente, na Rede Globo, onde brilhou em novelas icônicas. Personagens como João Gibão em “Saramandaia”, o Dr. Augusto Albieri em “O Clone”, Santiago Moreira em “Avenida Brasil”, Samuel Schneider em “Flor do Caribe” e o vilão Natanael em “O Outro Lado do Paraíso” marcaram a teledramaturgia brasileira.
Com uma carreira de mais de quatro décadas na televisão, Juca de Oliveira também se dedicou à direção, escrita e dramaturgia, além de atuar como pecuarista. Sua vasta contribuição artística lhe rendeu um lugar de destaque na Academia Paulista de Letras, consolidando seu legado como um dos maiores talentos que o Brasil já viu.