Em um mundo cada vez mais conectado, a cantora Simone Mendes tem adotado uma abordagem rigorosa para proteger seus filhos, Henry e Zaya, dos efeitos nocivos do uso excessivo de telas. Em entrevista recente ao portal LeoDias, a artista compartilhou a estratégia familiar de impor uma rotina com limites estritos para o acesso a celulares e outros dispositivos eletrônicos, visando um desenvolvimento infantil mais equilibrado e saudável.
A decisão, tomada em conjunto com o marido, o empresário Kaká Diniz, surgiu após a observação de impactos negativos no comportamento das crianças. Na residência da família, as regras são claras: durante a semana, o uso de telas é completamente vetado. “Meio da semana não tem celular, não tem tela. Final de semana o meu filho tem uma hora por dia para usar”, declarou Simone, evidenciando a disciplina imposta.
Essa medida encontra respaldo em recomendações médicas e psicológicas. A oftalmopediatra Isabela Porto, do CBV-Hospital de Olhos, salienta os benefícios para a saúde ocular. “O uso excessivo de telas na infância pode causar cansaço ao fim do dia, olho seco, estrabismo e dores de cabeça, além de estar diretamente relacionado ao aumento dos casos de miopia em crianças”, alertou Porto. Ela ainda ressaltou que a exposição prolongada à luz artificial das telas, em detrimento da luz natural, pode comprometer o desenvolvimento visual de forma progressiva, uma vez que a infância é um período crucial para a formação da visão.
A médica enfatiza a importância da supervisão parental e de um ambiente que incentive alternativas. “Estabelecer limites claros, incentivar atividades ao ar livre e garantir pausas visuais são atitudes fundamentais para proteger a visão das crianças”, orientou Isabela Porto.
Na esfera do desenvolvimento socioemocional, a psicóloga Kênia Ramos, do grupo Mantevida, corrobora a importância da regulação do tempo de tela. Segundo ela, a exposição desmedida pode afetar negativamente a capacidade de concentração, a qualidade do sono e a tolerância à frustração. “Quando os responsáveis estabelecem limites claros e consistentes, favorecem não apenas a organização emocional da criança, mas também o fortalecimento dos vínculos afetivos, o desenvolvimento da autonomia e a aquisição de habilidades sociais”, explicou Ramos.
A psicóloga conclui que o equilíbrio é a chave. “A tecnologia é parte integrante da vida contemporânea, porém necessita de mediação adequada. A vivência de brincadeiras, a interação familiar e os momentos offline são essenciais para a promoção da saúde mental e do desenvolvimento saudável na infância”, ponderou Kênia Ramos, reforçando a necessidade de um plano de mediação tecnológica eficaz por parte dos pais.