Uma rede de supermercados que conquistou o Oeste de Santa Catarina, rivalizando em popularidade com nomes como o Atacadão em outras regiões, teve sua trajetória encerrada. A Justiça catarinense homologou o pedido de autofalência da Rede Acácia Supermercados, que acumulou um passivo superior a R$ 2 milhões, marcando o fim de uma operação que, em apenas seis anos, ascendeu e colapsou.
A decisão judicial, proferida em fevereiro de 2025 pela Vara Regional de Falências e Recuperações Judiciais de Concórdia (SC), oficializa a incapacidade da empresa de prosseguir com suas atividades. O caso levanta um alerta sobre os riscos de expansões aceleradas combinadas com cenários econômicos adversos.
Ascensão Meteórica e Estratégia de Expansão
Fundada em 2019 em São Miguel do Oeste, a Acácia Supermercados se destacou por oferecer preços competitivos e um modelo de loja focado na conveniência e na proximidade com o consumidor. Essa proposta rapidamente atraiu o público local, impulsionando uma rápida expansão para municípios vizinhos como Descanso e Iporã do Oeste. A estratégia visava preencher um nicho de mercado onde o atendimento personalizado e o custo-benefício eram diferenciais cruciais.
No entanto, o ritmo acelerado de aberturas demandou vultosos investimentos, expondo financeiramente o grupo em um período de crescente instabilidade global.
Fatores que Levaram ao Colapso
O declínio da rede Acácia não foi um evento súbito, mas sim o resultado de uma conjunção de fatores:
- Impactos da Pandemia (2020-2021): Embora integrante do setor de serviços essenciais, a rede enfrentou severas restrições operacionais, escassez de mão de obra e instabilidade no abastecimento. O consequente aumento dos custos operacionais comprimiu drasticamente suas margens de lucro.
- Endividamento Bancário: Para viabilizar a expansão e manter o fluxo de mercadorias, a empresa recorreu a empréstimos. A escalada das taxas de juros, aliada à queda no faturamento, tornou os compromissos financeiros insustentáveis.
- Retração e Paralisação (2022-2023): A partir de 2022, as lojas já demonstravam sinais de dificuldade, com estoques reduzidos e horários de funcionamento limitados. No início de 2023, as atividades foram suspensas por completo, permanecendo as portas fechadas por mais de um ano até a decretação da falência.
Desfecho Judicial e Pagamento de Dívidas
Em 13 de fevereiro de 2025, a juíza Aline Mendes de Godoy homologou o pedido de autofalência, onde a própria administração da rede admitiu a “incapacidade total de continuar operando”. Com a decretação da falência, a Justiça nomeou um administrador judicial e um leiloeiro com o objetivo de avaliar e alienar os ativos da empresa. Freezer, prateleiras, equipamentos de refrigeração e imóveis serão leiloados para saldar, dentro dos trâmites legais, os débitos com:
- Funcionários (créditos trabalhistas com prioridade);
- Instituições financeiras;
- Fornecedores de mercadorias.
Para a comunidade local, o encerramento das atividades da Acácia Supermercados representa a perda de uma opção de compra acessível, forçando os consumidores a buscarem alternativas em estabelecimentos maiores ou mais distantes.
Direitos dos Funcionários em Caso de Falência
O desemprego gerado pelo fechamento da rede Acácia é uma preocupação real. Contudo, a legislação brasileira garante prioridade aos ex-colaboradores no recebimento de valores provenientes da liquidação dos bens da empresa. Os trabalhadores têm direito a:
- Salários atrasados e verbas rescisórias, como aviso prévio;
- Férias vencidas e proporcionais acrescidas de 1/3;
- 13º salário e a multa de 40% sobre o saldo do FGTS;
- Habilitação para o recebimento do seguro-desemprego.