O aguardado Super Bowl LX, que definirá o campeão da temporada da NFL entre New England Patriots e Seattle Seahawks, contará com a presença de grandes nomes do esporte. No entanto, fora dos gramados, a atração principal será Bad Bunny, estrela porto-riquenha responsável pelo show do intervalo da 60ª edição do evento. Sua participação, assim como a de outros ícones da música que já passaram pelo palco do Super Bowl, chama a atenção por um detalhe peculiar: a ausência de cachê.
Bad Bunny, que recentemente celebrou a vitória na categoria ‘Álbum do Ano’ do Grammy 2026 com um disco inteiramente em espanhol, soma-se a um seleto grupo de artistas de renome global que já se apresentaram no evento esportivo. Nomes como Beyoncé, Madonna, Eminem e Michael Jackson, entre outros, também subiram ao palco sem receber remuneração direta da NFL. Essa prática se repetirá com o artista porto-riquenho.
A ausência de pagamento, que pode parecer contraintuitiva diante da magnitude e do apelo comercial do Super Bowl, tem uma explicação fundamentada nas políticas da própria liga. As normas da NFL estipulam que não há repasse financeiro aos artistas pela performance no ‘halftime show’. Essa decisão contrasta com os valores astronômicos envolvidos na transmissão do evento, considerado um dos espaços publicitários mais caros do mundo.
Para contextualizar, um anúncio de 30 segundos durante a transmissão do Super Bowl nos Estados Unidos pode custar cerca de US$ 10 milhões (aproximadamente R$ 50 milhões). Estimativas apontam que a arrecadação total do evento pode ultrapassar os US$ 800 milhões (cerca de R$ 4,2 bilhões). Em 2025, o duelo entre Eagles e Chiefs atraiu uma média de 126 milhões de espectadores nos EUA, superando o recorde de 2024. O show do intervalo daquele ano, com Kendrick Lamar, alcançou 133,5 milhões de telespectadores, estabelecendo um novo marco.
Embora a NFL cubra custos de produção, viagens e despesas relacionadas a sindicatos, os artistas não recebem um cachê fixo. Usher, por exemplo, atração do Super Bowl em 2024, recebeu cerca de US$ 671 pela apresentação e aproximadamente US$ 1.800 pelos ensaios. Para artistas com faturamento na casa das dezenas de milhões de dólares, como Bad Bunny, que segundo a Forbes faturou cerca de US$ 66 milhões em 2025, a ausência de pagamento direto é compensada por um benefício de outra natureza: a visibilidade.
A performance no Super Bowl gera um impacto significativo e imediato na carreira dos artistas. Dados do Spotify revelam que a música de Kendrick Lamar teve um aumento de 430% nas reproduções após sua apresentação em 2025. Justin Timberlake, em 2018, experimentou um crescimento de 534% nas vendas digitais no mesmo dia, enquanto Lady Gaga viu suas vendas digitais saltarem 1.000% após sua apresentação em 2017. Artistas como Madonna, Maroon Five, Shakira e Jennifer Lopez também registraram ganhos expressivos em popularidade e vendas nas semanas seguintes às suas apresentações. O ‘halftime show’ se consolida, portanto, como um investimento estratégico em marketing e projeção futura, superando o ganho financeiro imediato.