Em 2025, figuras icônicas do entretenimento brasileiro, com mais de oito décadas de vida, demonstram que a idade é apenas um número quando se trata de manter agendas repletas e uma energia contagiante. Nomes como Fernanda Montenegro, 96 anos, Tony Tornado, 95, Ary Fontoura, 92, Susana Vieira, 83, e Laura Cardoso, 98, continuam ativos profissionalmente e conectados com o público, desafiando as expectativas sobre o envelhecimento.
Esses artistas servem como prova viva de que a terceira idade não implica em inatividade. Seus exemplos ressaltam a importância do propósito de vida, da saúde mental e de escolhas conscientes para uma jornada envelhecida plena e ativa.
Para desvendar os segredos por trás dessa longevidade vibrante, a CARAS Brasil buscou a orientação da Dra. Roberta França, médica especialista em Longevidade Consciente e Saúde Mental. A profissional analisou o comportamento desses notáveis e compartilhou insights valiosos para quem busca viver mais e com mais qualidade.
O Propósito Diário e a Preservação da Saúde Cerebral na Terceira Idade
A Dra. Roberta França destaca o papel fundamental do propósito na manutenção da saúde cerebral em idosos. Ela observa que artistas como Ary Fontoura, que segue engajado em longos trabalhos televisivos, demonstram o impacto direto de um objetivo diário na vitalidade.
“Ter vontades, desejos e sonhos, querer fazer coisas diferentes, ajuda o cérebro a envelhecer de forma muito mais lenta e responsiva aos estímulos”, explica a médica. Ela enfatiza que a aposentadoria da vida ativa é uma percepção que pode ser prejudicial, contrastando com aqueles que mantêm planos e aspirações.
Em resumo, a especialista afirma: “A vida pede propósito, e quem o tem mantém a alma jovem, conserva a vontade de executar, realizar, fazer e, principalmente, acreditar que ainda existem muitas possibilidades.”
Genética vs. Estilo de Vida: O Que Realmente Determina a Longevidade?
Embora a genética seja frequentemente citada como o principal fator para uma vida longa e autônoma, a ciência aponta para um cenário diferente. A Dra. Roberta França revela que as escolhas de estilo de vida têm um peso considerável.
“Os estudos mostram que, quando falamos em longevidade, ela está muito atrelada às escolhas conscientes que fazemos ao longo da vida. Hoje, apesar de entendermos que a genética é um fator importante, os estudos mostram que ela não é preponderante. Apenas 30% são fatores decididos pela genética. Os outros 70% estão atrelados ao estilo de vida, às escolhas conscientes que fazemos ao longo da vida”, esclarece a médica.
Ela enumera os pilares de um envelhecimento saudável: “Uma alimentação saudável, atividade física regular, conexão astral, conexão com uma religiosidade, com uma espiritualidade, que é muito importante, o tempo de lazer e o tempo de sono: tudo isso são fatores que contribuem para que o envelhecimento seja muito melhor e mais bem-sucedido.”
Redes Sociais, Tecnologia e a Prevenção de Doenças Neurodegenerativas
A persistente presença desses artistas nas redes sociais também é um ponto de destaque, com efeitos positivos diretos na saúde cerebral. A Dra. Roberta França incentiva a adaptação às novas realidades.
“É muito importante, à medida que a gente vai envelhecendo, que a gente saia daquele lugar que eu detesto quando os meus pacientes falam ‘da minha época’. Eu falo para eles: que época? A sua época é a época em que você está agora”, aconselha a médica.
A aprendizagem contínua é vista como um poderoso estímulo para o cérebro. “Quando eu aprendo novas habilidades, quando eu aprendo coisas novas, eu estou gerando neuroplasticidade. Estou fazendo com que meu cérebro se amplie, melhore a minha resposta neuronal e, inclusive, crie novas circuitarias neuronais”, explica a especialista.
O resultado dessa estimulação é notável: “E isso, obviamente, vai ajudar, e muito, a prevenir as doenças neurodegenerativas.”
Lições de Vida: O Que Aprender com Artistas Longevos?
Segundo a Dra. Roberta França, o ponto em comum entre esses artistas renomados reside na sua percepção sobre a idade. Eles cultivam uma visão de que a idade não é um obstáculo, mas sim uma fase da vida a ser vivida com plenitude.
“Eles fizeram escolhas conscientes de viver uma vida plena, com autonomia e prazer. A idade nunca foi, para eles, um fator limitante”, ressalta a médica.
Ela reforça a ideia de que envelhecer é um privilégio: “Envelhecer é privilégio, é privilégio daqueles que continuam a sua jornada aqui neste plano. Quantos gostariam de estar aqui e não estão mais?”
Para concluir, a especialista afirma: “Eles mostram todos os dias que agarraram essa oportunidade com unhas e dentes e continuam criando, construindo e, principalmente, sonhando.”