A influenciadora Romagaga Guidinni Chagas de Lima, de 30 anos, passará a noite em uma carceragem após uma série de incidentes ocorridos na região da Rua Augusta, em São Paulo. O caso, registrado no 78º Distrito Policial (Jardins), engloba diversas acusações, incluindo desacato e ato obsceno. A polícia alega a legalidade da prisão em flagrante, enquanto a equipe jurídica da criadora de conteúdo promete recorrer, denunciando abuso de autoridade.
De acordo com o boletim de ocorrência, os eventos tiveram início por volta das 9h em um hotel. O gerente do estabelecimento relatou que Romagaga e seus acompanhantes estariam obstruindo o acesso de outros hóspedes. Ao ser solicitada a se retirar de uma área restrita, a influenciadora teria reagido de forma agressiva, invadindo a recepção, tentando danificar um computador e ameaçando funcionários.
O documento policial também descreve que a influenciadora teria se despido no hotel e, posteriormente, dentro da própria delegacia, como forma de protesto. Ainda segundo o relato, Romagaga acusou o gerente de furto de seu iPhone, mas o aparelho foi encontrado em sua posse e utilizado para transmitir uma transmissão ao vivo do ocorrido.
Policiais descreveram a influenciadora como “visivelmente desequilibrada”, com sinais de embriaguez ou uso de substâncias. Em vídeos divulgados antes da apreensão de seu celular, Romagaga apresentou uma versão distinta dos fatos, alegando ter sido vítima de transfobia por parte do gerente e que um amigo teria sofrido ataques racistas. Em um dos vídeos, ela clamou por ajuda, afirmando ser tratada “como desumano”.
A defesa de Romagaga, com o apoio de Agripino Magalhães Júnior, deputado estadual suplente e presidente da Associação do Orgulho LGBTQIAPN+, já se manifestou. Os advogados confirmaram que ela permanecerá detida até a audiência de custódia, programada para este domingo. A defesa argumenta a desnecessidade da prisão, a ausência de risco à ordem pública e pretende buscar a responsabilização criminal e administrativa dos envolvidos por homofobia e abuso de autoridade.
Os representantes legais de Romagaga compararam o caso ao crime de racismo, citando o entendimento do STF de que a homofobia é inafiançável e imprescritível, e buscarão comprovar que a ação policial e do hotel foi motivada por preconceito.
A autoridade policial justificou o flagrante pela pluralidade de infrações constatadas, incluindo ameaça, ato obsceno, violação de domicílio, desobediência e desacato. O celular da influenciadora foi apreendido para perícia, e o desfecho do caso dependerá da decisão judicial na manhã de amanhã.